GED: A Importância da Prevenção Primária e Secundária da Desnutrição

7 de Dezembro de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Teresa Amaral, Grupo de Estudo da Desnutrição da APNEP, 03/12/2010

GEDA desnutrição representa um grave problema de saúde que é frequentemente mascarado por outras situações clínicas. Cumpre os critérios para que seja considerada uma questão central no planeamento dos cuidados de saúde em Portugal:

  1. Entre nós, dados provenientes de uma amostra probabilística de doentes internados em seis hospitais mostrou que a desnutrição afectava cerca de um em cada três doentes no momento da admissão hospitalar1. O baixo nível educacional foi identificado como o principal factor associado a esta problemática. A baixa capacidade funcional, o género masculino, a idade, ser solteiro, viúvo ou divorciado e os hábitos tabágicos estavam também directamente associados com um aumento do risco de desnutrição.
  2. A desnutrição amplifica a necessidade de cuidados em todas as situações e influi marcadamente na qualidade de vida, com elevados custos a nível pessoal, para a sociedade e para o sistema de saúde. Está associada a um aumento do risco de infecções e de complicações, a uma necessidade acrescida de tratamentos hospitalares e de reinternamentos e acarreta consequências graves, como maior morbilidade e mortalidade.
  3. Dados provenientes do último Inquérito Nacional de Saúde (2005-2006) apontam para uma elevada prevalência de insegurança alimentar grave no nosso país, de 15,9%. Um aspecto que assume particular importância é que 50% dos inquiridos que refere insegurança alimentar apresenta excesso de peso ou obesidade, demonstrando que estas duas situações aparentemente antagónicas coexistem numa elevada proporção de Portugueses. Estes dados reforçam a necessidade de uma visão holística no delineamento de estratégias preventivas.

Deste modo, salienta-se a importância do cumprimento das recomendações já emitidas por vários organismos para reduzir o problema da desnutrição na Europa (Conselho da Europa (Resolution ResAP (2003)3, P6_TA-PROV(2008)0461) e de sociedades científicas) e também em Portugal. Já em 2005, a Inspecção Geral das Actividades em Saúde emitiu recomendações detalhadas e objectivas sobre as estratégias a adoptar em hospitais para minimizar esta problemática.

O Grupo de Estudo da Desnutrição da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica tem vindo a reforçar a necessidade de se cumprirem estas recomendações com a maximização dos esforços para a implementação sistemática do rastreio da desnutrição no momento da admissão às unidades prestadoras dos cuidados de saúde, divulgando os seus pressupostos científicos.

Este rastreio da desnutrição justifica-se porque:

  1. A desnutrição está associada a maior morbilidade e mortalidade, à diminuição da capacidade funcional, ao desconforto e a mal estar.
  2. Existem métodos de rastreio da desnutrição dotados de suficiente qualidade de desempenho. Estes são simples, sensíveis e específicos, seguros, de baixo custo e bem aceites pelos utentes.
  3. As intervenções de prevenção primária da desnutrição são eficazes e seguras e demonstram ser efectivas em termos de custos. Se a desnutrição é diagnosticada consequentemente ao rastreio, os tratamentos disponíveis são eficazes, na maioria das situações.

Todos os indivíduos identificados em risco nutricional deverão ser sujeitos a um diagnóstico. Esta antecipação do diagnóstico possibilitará o tratamento precoce e um prolongamento da sobrevivência. A maioria dos tratamentos da desnutrição em fase pouco avançada recorrerá a estratégias dietéticas usando produtos alimentares de baixo custo, ao contrário dos tratamentos de formas de desnutrição mais graves, em que serão necessários recursos mais dispendiosos.

O Grupo de Estudo da Desnutrição da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica também tem desenvolvido esforços no sentido de se multiplicarem as estratégias de prevenção primáriada desnutrição, com a promoção da alimentação equilibrada.

Esta implementação de estratégias de prevenção primária possibilita também a redução da exposição a conhecidos factores de risco para as patologias prevalentes no nosso país, como as doenças cardiovasculares e o cancro, com a tradução em ganhos inequívocos na saúde dos Portugueses.

Acresce o facto de o nosso país estar especialmente dotado de profissionais com competências para desempenharem estas tarefas.

Documento de apoio:

Teresa Amaral (Grupo de Estudo da Desnutrição da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica)

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