Opinião: O contributo dos psicólogos para o PNS

22 de Dezembro de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Telmo Mourinho Baptista, Ordem dos Psicólogos Portugueses, no âmbito do Boletim pensar saúde nº 3

oppA importância de um Plano Nacional de Saúde para o País é inquestionável. Conseguir mais ganhos de saúde para os portugueses deve ser uma preocupação de todos os agentes promotores de saúde. Por isso, a elaboração do novo plano de saúde para o período de 2011-2016 deve ser o mais participado possível, trazendo para a reflexão, para o compromisso e para a acção os potenciais responsáveis pelos objectivos do plano.

Nesse sentido, e após o convite para a participação no Conselho Consultivo do Plano Nacional de Saúde, a Ordem dos Psicólogos entendeu que deveria dar os seus contributos e estimular os psicólogos a proceder da mesma forma. Tem ainda em preparação, um conjunto de iniciativas que visam aumentar o seu contributo para a elaboração do Plano.

Em primeiro lugar, importa ultrapassar uma visão demasiado restritiva da psicologia na área da saúde, relegando-a exclusivamente para o campo da saúde mental.  Se é verdade que esse foi o campo primeiro e principal da afirmação da psicologia, hoje em dia os contributos para a saúde, entendida de forma global, são muito mais extensos. A Psicologia da Saúde conheceu uma expansão notável, tanto na investigação como na prática, e tem sido uma das principais áreas de afirmação da psicologia em todo o mundo.

Esses ganhos em saúde traduzem-se em vários níveis de resultados, desde melhores indicadores de saúde, como benefícios económicos da intervenção dos psicólogos, melhor funcionamento organizacional, melhores aprendizagens acerca da saúde. Destaco ainda a actividade de prevenção, nas usas diversas vertentes, como também a avaliação psicológica.

A visão que a psicologia tem da pessoa, como ser activo, auto-organizado, responsável pelas suas acções e participante da sociedade, e por isso, participante nos seus cuidados de saúde é essencial para o acompanhamento de pessoas com doença crónica, pois é fulcral conhecer e aplicar os conhecimentos que permitem uma melhor auto-gestão da doença.

Os psicólogos estão particularmente dotados para a intervenção na área da saúde, pelo conhecimento que têm das condições de aquisição e manutenção de comportamentos, bem como das dificuldades e resistências com que se confrontam. A psicologia tem ainda estudado os mecanismos de aquisição de conhecimento, de mudança de atitudes e de mudança de comportamento, e aplicado esse conhecimento para um aumento dos ganhos de saúde.

A Ordem dos Psicólogos Portugueses assume o compromisso de mobilizar os profissionais para os objectivos do Plano Nacional de Saúde. Mas não pode deixar de frisar que os recursos disponíveis para as populações, em termos de cuidados na área da psicologia, são exíguos, quando em comparação com indicadores internacionais. Estamos ainda longe de uma cobertura mínima adequada que permita um acesso facilitado aos recursos psicológicos. Com isso perde-se oportunidades de ganhos de saúde e benefícios reconhecidos. Por isso importa cuidar de criar os meios para que os recursos possam crescer de forma adequada às necessidades.

Da parte da Ordem dos Psicólogos Portugueses fica a compromisso de acção com o Plano Nacional de Saúde, no cumprimento de um dos objectivos principais da Ordem, e de qualquer psicólogo, que é o de se empenhar no estabelecimento de uma dinâmica de cooperação social com o objectivo de melhorar o bem-estar individual e colectivo.

Telmo Mourinho Baptista (Bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses)

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