ABUEL – Elder Abuse: A multinational prevalence survey

19 de Julho de 2010 / 1 Comentário Bookmark and Share

EstudosEm Portugal, um em cada quatro idosos foi vítima de pelo menos um acto de violência ao longo do último ano; e que quatro em cada dez idosos foram, em algum momento, alvo de maus tratos físicos, psicológicos, sexuais ou financeiros durante a vida. Dados conclusivos do estudo Elder Abuse: A multinational prevalence survey – ABUEL (mais informação).

A violência nos idosos é cada vez mais uma fonte de grande preocupação no mundo inteiro. A violência pode implicar agressões físicas, psicológicas, emocionais e verbais, ou financeiras ou outros maus-tratos materiais. Independentemente da forma de abuso, pode conduzir a problemas de saúde física e mental, e à diminuição da qualidade de vida para a pessoa idosa. Na verdade, pode ser uma fonte de sofrimento, lesão ou dor. A informação sobre a violência nas pessoas idosas é limitada e muitas vezes incoerente, baseando-se nos depoimentos de familiares ou prestadores de cuidados, em vez dos depoimentos das próprias pessoas idosas. A falta de informação fiável sobre a violência nestes grupos é evidente em muitos dos Estados Membros da União Europeia.

Elder Abuse: A multinational prevalence survey – ABUEL pretende abordar algumas destas questões. Concretamente, o ABUEL visa entre outras coisas:

(a) Fornecer dados sobre a extensão e a natureza da violência nas pessoas idosas
(b) Examinar os “determinantes” de violência nas pessoas idosas
(c) Examinar os efeitos da violência na saúde e na qualidade de vida das pessoas idosas.

Os dados do ABUEL são recolhidos em 7 Estados Membro da União Europeia (Alemanha, Grécia, Itália, Lituânia, Portugal, Espanha, Suécia) através de instrumentos e métodos padronizados.

Espera-se que a informação fornecida pelo ABUEL seja útil para o planeamento de estratégias de saúde, para os decisores políticos, prestadores de cuidados e Instituições viradas para a pessoa idosa. Espera-se que o projecto seja útil para os Estados participantes, mas também a um nível mais alargado, apoiando-os no seu trabalho para melhorar a situação dos idosos em risco de violência e para evitar a ocorrência desse fenómeno.

A investigação em Portugal é coordenada por uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto liderada por Henrique Barros. Ao todo foram realizados cerca de 700 inquéritos a nível nacional e, dos sete países estudados, Portugal não é dos que apresenta piores resultados mas destaca-se pela negativa dentro dos países do Sul da Europa. O inquérito foi também conduzido na Suécia, Lituânia, Alemanha, Grécia, Itália e Espanha.

Segundo Henrique de Barros, numa entrevista à TSF, “são as pessoas que tomam conta dos idosos, que na maior parte dos casos, eram filhos ou o parceiro [que praticam os actos de violência] ”, e que os maus tratos psicológicos são os mais frequentes, sendo o agressor considerado íntimo da vítima.

Sobre as diferenças entre sexos, Henrique de Barros explicou que a violência atinge sobretudo as mulheres mas que o número de vítimas do sexo masculino surpreendeu os investigadores.

No que diz respeito às doenças provocadas pela violência de que a população com mais de 60 anos foi alvo, o estudo diz que são difíceis de identificar mas que as mais comuns são as depressões e as perturbações do sono e do sistema digestivo.

De referir que o relatório final será disponibilizado brevemente em http://abuel.org/index.html

Um comentário sobre “ABUEL – Elder Abuse: A multinational prevalence survey

Comentar ou contacte-nos via Twitter @pns

  1. O trabalho da ABUEL é de louvar, e sobretudo é um trabalho a ter em conta quando se pretende planear Saúde, nomeadamente saúde para a pessoa idosa. É fundamental a criação de equipas multidisciplinares e a articulação de entidades, pessoas e esforços no sentido de, por um lado manter a autonomia da pessoa idosa pelo maior tempo possível e por outro, ter meios de lhe assistir (em último caso institucionalizar) quando a dependência se torna clara.
    Deixo aqui referência de 2 artigos do país vizinho…
    O artigo de Olmo et al (2008) com o título: “Pessoas idosas em isolamento social na cidade de Madrid: Experiência de uma intervenção através da estratégia psicológica de procura activa” mostra que vale a pena investir em determinados programas de intervenção que capacitem ou recapacitem a pessoa idosa, na manutenção da sua independência. Mostra um caminho possível e desejável para a intervenção junto das pessoas idosas nomeadamente do grupo afectado ou vulnerável ao isolamento social. Mostra a possibilidade de intervir a 3 níveis (normalização, contenção e custódia) e mostra a necessidade da articulação de equipas sociais e de saúde (assistentes sociais, médicos, enfermeiros,psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas…) por um lado e de fiscalização e tribunais por outro. Esta articulação é imprescindível nos casos de Custódia. Se pensarmos, não só nos casos de isolamento social, mas também nos casos de maus tratos, e se tivermos em conta o Algoritmo de intervenção em maus tratos da da equipa EIMA de Barcelona (2004) citada no artigo de C. Mercedes Tabueña Lafarga “Los malos tratos y vejez: un enfoque psicosocial” (Maus tratos e velhice: uma abordagem psicosocial), poderemos ver que nos casos de maus tratos em que a pessoa idosa está incapaz de decidir, torna-se necessária uma ordem judicial que retire o poder de decisão ao cuidador (abusador ou negligente), tornando assim possível a institucionalização.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*