ACESBaixo Mondego I: Dinâmicas Articuladas

9 de Julho de 2010 / Bookmark and Share

Contributo enviado por Arlindo Santos, Agrupamento de Centros de Saúde Baixo Mondego I, 30/05/2010

Opiniao1) Em que áreas e como podem os Portugueses obter mais ganhos em saúde de forma sustentável?

Os ganhos em saúde traduzem-se por uma melhor acessibilidade ao s/ médico de família, que deve ser procurada nas normas em vigor no ACES e no seu Centro de Saúde, apresentando sugestões sempre que o acesso é negado ou não está de acordo com as suas expectativas, fazer as revisões do seu estado de saúde nas idades indicadas nos programas da D.G.S., cumprir as atitudes e actividades recomendadas pela sua equipa de saúde na prevenção da doença e na promoção da saúde;

2) Que expectativas possui relativamente ao PNS 2011-2016? Como é que este pode ser útil na obtenção de mais valor em saúde?

O cumprimento dos programas da DGS, tanto na área curativa como na preventiva, já é uma mais valia no seguimento dos utentes que anseiam pela melhor prestação dos seus médicos de família quando têm necessidade dos seus serviços. Os registos informáticos são essenciais para o correcto seguimento dos utentes, bem como para podermos avaliar o trabalho dos médicos e enfermeiros no sentido da melhoria da prestação e dos ganhos em cuidados de saúde. Para o próximo quinquénio a Saúde melhorará se conseguirmos racionalizar o atendimento dos utentes nos aspectos antes referidos, tendo uma especial atenção e enfoque na prevenção das doenças (vacinação, rastreios, vigilância nas várias etapas da vida) e na promoção da saúde.

3) Como é que o PNS 2011-2016 pode apoiar a missão da vossa instituição na obtenção de ganhos em saúde de forma sustentável?

O PNS pode apoiar a missão dos ACES traçando planos de saúde exequíveis, conhecendo a realidade e tendo em conta as alterações organizacionais e de gestão, que são consequência da actual reforma da Saúde.

4) Como é que os resultados da vossa instituição, na obtenção de ganhos em saúde, podem ser percebidos, medidos e valorizados?

A carência de recursos humanos, as dificuldades sentidas na transferência de responsabilidades das ARS para os ACES, com a sua pesada carga burocrática e a dificuldade de aceder a material, nomeadamente técnico e terapêutico, até aqui fornecido pela ARS, são factores que limitam e consomem uma grande parte das energias dos órgãos executivos e consultores dos ACES, motivados desde o início da reforma para contribuírem no sentido de uma melhor racionalização no acesso aos cuidados de saúde, com benefícios para os profissionais e para os utentes. Com as consequências da crise financeira que o país atravessa e o flagelo das reformas do pessoal médico e de enfermagem, todo o quadro se vai agravar, não sendo possível traçar perspectivas muito positivas para os próximos anos. Os ganhos em saúde só podem ser medidos se houver registos e este desiderato apenas o podemos conseguir se todos os profissionais colaborarem. Os instrumentos estão no terreno mas precisam de ser bem manuseados e para que isso aconteça é fundamental haver formação e disponibilidade. O trabalho requer incentivos para que cada vez seja mais produtivo e para que os profissionais se sintam mais satisfeitos. Não conseguimos contribuir para um bom ambiente de trabalho se não houver pessoal suficiente e devidamente qualificado. A contratualização em curso é uma boa metodologia para a avaliação do trabalho das unidades funcionais e obtenção de ganhos em saúde, devendo ser ajustada e continuar a ser discutida pelas partes.

Arlindo Santos (Presidente do Conselho Clínico do Agrupamento de Centros de Saúde Baixo Mondego I)