ADVITA: Temas de Reflexão e Acção

18 de Agosto de 2010 / 1 Comentário Bookmark and Share

Contributo enviado pela Associação para o Desenvolvimento de Novas Iniciativas para a Vida (ADVITA), 30/07/2010

advitaO Plano de Saúde para o período 2011-2016, como documento orientador das grandes linhas orientadoras em Saúde para as instituições públicas, privadas e sociais,  deve dar especial ênfase e prioridade a  temas  transversais da Saúde que  estão claramente identificados em Portugal, nos restantes países da Europa e na generalidade dos países desenvolvidos.

Neste contexto  salientamos  os seguintes temas :

–  o tema do  Financiamento: da prestação de cuidados de saúde:  em Portugal, tal como nos outros países o Financiamento dos sistemas de saúde seja a nível do Estado, seja a nível das empresas seguradoras, constitui uma área  de muito estudo e em grande desenvolvimento.  O peso elevado que as despesas com a Saúde têm vindo a ocorrer – pressionando os orçamentos dos Estados, na componente de financiamento pública e das  Empresas Seguradoras na componente de  empresas de seguro privadas – desenvolveram um movimento cada vez mais intenso de  prestação de melhores cuidados  de saúde a menores custos,  com um sistema de supervisão e exigências acrescidas na  Qualidade   dos serviços prestados.  A  evolução tecnológica  e aparecimento de novos medicamentos cada vez mais eficazes e também substancialmente mais dispendiosos  são outra das tendências inevitáveis que pressionam  as organizações. Os sistemas de saúde públicos privados e sociais  estão  e vão continuar no  período   2011-2016 a defrontar-se com este problema  e  a  evoluir adaptando-se às novas realidades.

– o tema da Sustentabilidade  financeira: os princípios de economia social europeia,  ao longo dos últimos 50 anos têm vindo a  assegurar a todos os cidadãos melhor acesso e melhor  qualidade na prestação de cuidados.  No entanto  por força da situação económica que se atravessa,  com  recursos são cada vez mais escassos,  não se deve comprometer o acesso à Saúde das gerações futuras  ou contribuir para a falência das entidades pagadoras sejam elas públicas, privadas ou sociais. O que vai também contribuir para o repensar a  organização de cuidados de saúde, não só ao nível do financiamento como também ao nível da prestação de cuidados por  instituições públicas privadas ou sociais.

Neste campo deve ser reconhecida como prioritária  uma excelente articulação entre os prestadores de cuidados primários, de cuidados agudos e de cuidados continuados e paliativos,  públicos, privados e sociais:

–  quer pelos efeitos positivos  que a mesma  pode significar no melhor e mais eficiente atendimento do doente,  assegurando uma abordagem holística e assegurando  a deslocação  de unidade para unidade de forma a toda a informação necessária poder circular facilmente entre os profissionais de saúde que prestam serviço nas diferentes organizações,

– quer pelos efeitos positivos   no funcionamento de todas as organizações prestadoras de cuidados  (evitando repetição de exames e de meios auxiliares de diagnóstico, de número de consultas, de redução de prazos para o atendimento de doentes em situação grave, de redução de afluência às urgências);

-quer em termos financeiros, nomeadamente evitando repetição de exames e de meios auxiliares de diagnóstico, de número de consultas, de redução de prazos para o atendimento de doentes em situação grave,  e redução de afluência às urgências;

– o tema do Envelhecimento das populações, com o aumento previsto da esperança de vida e o  consequente aumento de doentes crónicos, com demências e níveis de dependência cada vez mais elevados. Como se vai organizar a resposta a esta  situação que contribui sem dúvida para sobrecarregar os custos da prestação de cuidados?  Todos os países se defrontam com  as consequências da evolução demográfica e está a emergir também por todo  o lado  o reconhecimento  e a dignificação do papel do Cuidador e das Famílias que no domicilio, na residência ou no centro de dia acompanha e possibilita às pessoas doentes, dependentes ou dementes,  uma  sobrevivência digna. São pessoas  que pelas  circunstâncias da vida se viram de uma forma ou outra defrontados com uma função para a qual não estão normalmente  preparadas e que se deparam  todos os dias –  a par com uma enorme solidão e isolamento – com grandes dificuldades na sua actividade de apoio diário. Defrontam-se com  grandes  dificuldades em obter informação que as ajude a desenvolver as sua acção de  forma positiva para a pessoa que cuidam  e  incorrem eles próprios  em situações de depressão ou de doenças decorrentes do foro psicossomático ou de  um esforço físico  desadaptado às suas forças e muitas vezes efectuado de forma incorrecta por falta de conhecimentos.

–  o tema da segurança dos doentes e da  prevenção e controlo de infecção em ambiente hospitalar, residencial ou mesmo domiciliário ( patient safety)é uma área de intervenção absolutamente essencial.  Nesta  área  deverão ser identificadas e valorizadas em promover uma  melhoria de uma comunicação eficaz entre colaboradores e com os doentes e familiares, uma correcta identificação do doente com vista a evitar erros de medicamentos ou outros, um sistema seguro de distribuição e toma de medicamentos, adopção de medidas visando a prevenção de quedas dos doentes , e das úlceras de pressão, e   o conjunto de medidas, envolvendo todos os colaboradores numa unidade de cuidados primários, agudos, continuados, residenciais e domiciliários  em matéria de prevenção e controlo de infecção.

– a importância da educação para a  saúde e a divulgação de hábitos de vida saudável visando  prevenir a doença,  atrasar o  mais possível o aparecimento de doenças, diagnosticar mais cedo a doença . É uma  área de intervenção onde é fundamental  intervir  desde muito cedo, nas escolas, com vista a evitar, nomeadamente  o aparecimento de doenças como a diabetes,  a obesidade e as doenças dentárias, a prevenir  a gravidez na adolescência, a  alertar e prevenir  situações de  abusos e maus tratos a crianças, jovens e adultos.

Rosário Rebordão Sobral (ADVITA – Associação para o Desenvolvimento de Novas Iniciativas para a Vida)

Um comentário sobre “ADVITA: Temas de Reflexão e Acção

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  1. Os contributos de demais instituições da sociedade civil, como a ADVITA, são fundamentais e devem ser acolhidas e alargadas a todas as áreas de especialiadade.

    Só assim, estaremos em condições assegurar a representatividade do interesse público neste PNS horizonte 201-2016, através da participação comunitária.

    O valor deste contributo releva a incontornável necessidade de divulgação, difusão deste PNS através do convite formal em multiplataformas media, apelando à participação proactiva de todas estas instituições, através de paineis de opinião alargados e peritos nacionais e internacionais.

    Bem hajam.

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