Análise Especializada: Cuidados de Saúde Hospitalares

4 de Agosto de 2010 / 6 Comentários Bookmark and Share

AnalisesEspecializadasAs análises especializadas são estudos solicitados a peritos nacionais com consultoria internacional, sectoriais e/ou transversais que são alvo de discussões próprias em sede especializada e/ou pública. Estas são base de pareceres e estratégias posteriormente solicitadas às instituições envolvidas no Plano Nacional de Saúde (PNS) 2011-2016.

Esta discussão proporcionou maior acordo entre evidência e recomendações nacionais e internacionais, e o planeamento estratégico institucional, que resultará num produto (PNS 2011-2016) fruto de um processo construtivo e participado.

A análise especializada Cuidados de Saúde Hospitalares tem como coordenadores Ana Escoval e Adalberto Campos Fernandes, com colaboração de Tânia Tercitano Matos e Ana Tito Lívio Santos, e contributos de Diana Martins e Ana Gil. Foi realizada em parceria entre o Alto Comissariado da Saúde e a Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.

A versão disponibilizada já contempla os comentários do consultor internacional, Boi Ruiz Garcia e dos contributos enviados durante o processo de discussão pública ocorrido até Outubro de 2010.

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6 comentários sobre “Análise Especializada: Cuidados de Saúde Hospitalares

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  1. Documento globalmente bem estruturado, com propostas/recomendações claras, que apostam claramente na articulação, integração e continuidade de cuidados para garantir a sustentabilidade, acessibilidade e equidade no SNS, suportadas por um sistema efectivo de governação clínica que garanta a eficiência e qualidade de cuidados de saúde, cuja centralidade deverá ser o cidadão. Referência repetida à necessidade de um maior investimento nos CSP de forma a garantir as respostas de proximidade e de qualidade de que os cidadãos necessitam. O único reparo a fazer é relativamente aos indicadores e metas propostas para o conjunto de recomendações, relativamente à dimensão “Acesso e Qualidade” que não evidenciam o ênfase colocado nesta área ao longo de todo o documento para a garantia do futuro dos CSH. Esta área deverá ser revista, adicionando os indicadores que efectivamente avaliem a qualidade dos cuidados de saúde aí prestados e permitam a implementação de um sistema de benchmarking com uma forte componente clínica.

  2. O Serviço de Nutrição da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, EPE, vem deste modo dar o seu contributo no âmbito das diferentes valências da nutrição:

    1 – Cuidados de Saúde Hospitalares:
    – Sugerimos que seja incluida, enquanto indicador/ resultado, na contratualização com os hospitais/ ULS, a avaliação nutricional sistemática a todos os doentes na sua admissão e periodicamente até à alta hospitalar(ver recomendações no Relatório sobre a Alimentação nos Hospitais Portugueses do IGAS de 2006).

  3. Extenso, mas muito rico em termos de conteúdos. Salientamos a forma como foi sublinhada a importância de ultrapassar as fronteiras do hospital na procura de respostas para os problemas de saúde (e sociais) das populações. Exige-se a redefinição do papel do hospital no sistema, bem como a clarificação das responsabilidades de todas as partes que o compõem no sentido de encontrar respostas às necessidades efectivas das populações, criando valor, traduzido concretamente em ganhos em saúde, ao menor custo possível.

  4. Nas análises sobre os cuidados hospitalares, a referência aos temas nutrição e alimentação está ausente. Será importante referenciar estas temáticas pela sua extrema importância para a saúde dos doentes presentes nestes tipos de cuidados.
    Sugere-se:
    – Que todos os hospitais devam possuir, até 2016, pelo menos 1 nutricionista e que o rácio por número de habitante ou por nº de camas hospitalares ou nas Unidades de Cuidados continuados deva ser calculado de acordo com as características de cada hospital (distribuição geográfica, tipo de população, patologias prevalentes nessa área, tipo de serviços que integra (unidades de cuidados intensivos, pediatria, cuidados continuados, oncologia, transplantes, hemodiálise) e tipo de população que assiste em regime de ambulatório);
    – Incluir nos indicadores de saúde para a contratualização dos hospitais/ULS com a ACSS, o rastreio da desnutrição e consequente avaliação nutricional dos doentes em risco ou identificados como desnutridos aquando da admissão hospitalar e sempre que se justifique a sua monitorização até à alta, cumprindo as recomendações do Relatório nº483/2009 da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde sobre a Alimentação nos Hospitais Portugueses e a Resolução ResAP(2003) do Comité de Ministros do Conselho da Europa sobre alimentação e cuidados nutricionais nos hospitais;
    – Contratualizar as consultas de nutrição (consultas não médicas) e estudar a atribuição de pagamento de uma taxa moderada pelos utentes;
    – A integração de indicadores do estado nutricional (peso, altura, índice de massa corporal, %de perda de peso, avaliação do aporte alimentar) no sistema de informação acessível a todos os profissionais da instituição de saúde;
    – A uniformização dos cadernos de encargos, no que respeita a procedimentos de higiene e segurança alimentar, capitações, requisitos de ementas, manual de dietas (uniformização da designação do tipo de dieta), etc; estando os nutricionistas envolvidos neste processo, bem como a presidir a comissão de escolha da empresa de restauração colectiva a servir o Hospital; Esta uniformização e adequação nutricional das ementas será fundamental no combate ao desperdício e à desnutrição hospitalar.
    – As ementas (escolas, prisões, hospitais, etc) de todos os organismos relacionados com o Estado devem ser validadas ou aprovadas por um nutricionista.
    – A criação de um Serviço de Nutrição e Alimentação em todos os hospitais, dirigido por um Nutricionista, o qual deverá centralizar toda a intervenção nutricional prestada no internamento e ambulatório. A este serviço competirá de igual forma a supervisão da área da alimentação (interligação com a empresa de restauração, nos casos de out-sourcing do fornecimento da alimentação), consultoria técnica em áreas afins à nutrição e alimentação e formação na área aos restantes profissionais de saúde.
    – Responsabilidade Técnica de programas de educação para a saúde (prevenção 2ª e 3ª) na vertente da promoção de estilos de vida saudáveis.

  5. Novamente se trata de um texto muito gestionário e organizativo. No entanto é de referir que ao falar-se sobre a ACESSIBILIDADE (pag 18) ignora-se o problemas das Consultas Externas não resolvido com a publicação e entrada em vigor da Portaria de 2008 referente à Consulta a Tempo e Horas, apenas se referindo a lista de espera da cirurgia e o SIGIC. Este aspecto é relevante e implica uma análise profunda.
    Outo aspecto não considerado e que deveria complementar a questão da redução de camas era o dos Hospitais de dia, oncológicos e não oncológicos. Olhando os gráficos que mostram que Portugal tem uma relação cama/habitantes abaixo da média europeia era importante entender qual a dinâmica futura desta vertente hospitalar.
    Ente-se ainda que a análise da área de Cuidados de Saúde Hospitalar deve ser feita em parceria com a dos Cuidados de Saúde Primários com vista a garantir a continuidade de cuidados e a cooperação intersectorial.

  6. Junto envio alguns comentários, no âmbito da RNCCI.

    Melhores cumprimentos,

    Inês Guerreiro
    Coordenadora

    [file]http://www.acs.min-saude.pt/pns2011-2016/files/2010/08/RNCC-CSH.pdf[/file]

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