APDPk: A Neuroreabilitação na Doença de Parkinson

10 de Maio de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Josefa Domingos, Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, 03/05/2010

APDPQualquer que seja a perspectiva pela qual analisemos as doenças crónicas tal como a Doença de Parkinson (DP), os custos dos sistemas de saúde para os cuidados crónicos são exorbitantes e os resultados de saúde pouco animadores. O impacto económico da DP ultrapassa os custos dos serviços de saúde. De facto, muitas vezes, os custos indirectos traduzidos em perda de produtividade, igualam ou excedem os custos directos. Todos estes dados associados à pressão demográfica do envelhecimento e ao aumento da prevalência da DP, incluindo o seu aparecimento em pessoas cada vez mais jovens, funcionam como verdadeiras forças impulsionadoras de melhores modelos de gestão da DP a nível mundial.

As abordagens anteriores de reabilitação na (DP), centravam-se em intervenções com intensidades moderadas que resultavam em pouca durabilidade dos ganhos funcionais obtidos. Por este motivo, na Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson defendemos a necessidade da criação de uma abordagem mais intensiva e especifica de Neuroreabilitação na DP que colmate as limitações dos diversos tratamentos existentes e permita uma definição clara de períodos sem necessidade de reabilitação.

Procuramos actuar em duas vertentes de intervenção: por um lado, a possibilidade dos utentes/cuidadores de obterem sucesso em algumas capacidades físicas e funcionais (marcha, equilíbrio, capacidade cardiovascular, actividades da vida diária) com base na reabilitação sensório-motora dessas capacidades e, por outro lado, a possibilidade de compreenderem e aceitarem o impacto das perdas funcionais causados pela DP através da Formação, Educação para a saúde e partilha de conhecimentos e competências.

Defende-se que alterações nestes domínios podem levar a uma diminuição significativamente das incapacidades físicas do utente, da inactividade e do isolamento social. Adicionalmente, poderá actuar sobre o bem-estar, a severidade da doença e a qualidade de vida do utente e dos seus familiares mas principalmente alcançar resultados mantidos no tempo, numa população estimada em 20.000 doentes de Parkinson em Portugal.

Embora não exista ainda estudos a defender esta abordagem intensiva e específica de treino, existe actualmente um conhecimento clínico e teórico que sustenta o projecto já implementado na APDPk mas que carece de melhores apoios por parte do Ministério da Saúde e melhores apoios para a investigação.

Josefa M. M. Domingos (Departamento NeuroFisioterapia, Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson)

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