22 comentários sobre “Apresentação

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  1. Equipa da Comissão de Controlo de Infecção da ULSM - David Peres; Fernanda Vieira; Ilda Devesa; Isabel Neves; Valquíria Alves.

    Analisando os objectivos a atingir no período 2011-2016, consideramos ter toda pertinência evidenciar a continuidade do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Programa Nacional de Controlo de Infecção (PNCI) assegurando, assim, a melhoria contínua do controlo de infecção em Portugal.
    Para que tal seja possivel gostariamos que, de forma directa, este plano salvaguarde também:

    1 – Garantia de manutenção de rácios de Profissionais de Controlo de Infecção (PCI), seja a nivel nacional(PNCI),regional (Grupos Coordenadores Regionais das ARS’s) e local (Comissões de Controlo de Infecção- CCI- nos cuidados primários, hospitalares e continuados);

    2-Formação específica, obrigatória e gratuita para os PCI’s, ministrada por entidades certificadas;

    3- Possibilidade de evolução na carreira dos PCI’s;

    4- Aumento da autonomia das CCI´s, através da atribuição de poder executivo;

    5- Melhoria da comunicação entre instituições e entre PCI’s,nomeadamente através da realização de uma ou duas reuniões nacionais anuais;

    6- Definição clara de indicadores contratuais a nível central para sua utilização transversal(por exemplo, consumo de antibióticos e definição de microrganimos epidemiologicamente relevantes).

    7- Manutenção da Rede Nacional de Registo (vigilância epidemiológica das infecções associadas aos cuidados de saúde) e feed-back dos resultados aferidos aos interessados.

    8- Inclusão obrigatória nos registos clínicos de dados de controlo de infecção que permitam ser recolhidos e tratados por softwares de gestão de controlo de infecção compativeis intra e inter-instituições de saúde(permitindo assim a obtenção de indicadores aferidos).

  2. Sendo as IACS um indicador mais que reconhecido, de qualidade e segurança dos doentes em meio hospitalar, implica que:
    o As Instituições de Saúde sejam responsabilizadas por:
    – Proporcionar infra-estruturas físicas para a existência funcional da CCI;
    – Nomear uma equipa sensível a estas questões, exemplo nos cuidados prestados e reconhecida pela boa articulação com a equipa hospitalar;
    – Criar à equipa nomeada, embora reduzida, disponibilidade para desenvolver as suas actividades;
    – Responsabilizar todos os profissionais de saúde e serviços pela colaboração na adesão às normas ou solicitações emanadas pela CCI;
    – Transmita visibilidade dos resultados obtidos nas auditorias e programas implantados em colaboração com a DGS;
    – Proporcionar formação nesta área de forma a desenvolver nos profissionais competências e capacidades para a prestação dos cuidados, estimulando o trabalho individual de cada um, integrado no colectivo tendo em vista o bem-estar do doente e a qualidade de cuidados da Instituição como resposta à população que a solicita.

    o O PNCI melhore as condições de apoio às CCIs, proporcionando atendimento diferenciado por áreas ou seja cada profissional do PNCI fique destacado por uma ou duas áreas, permitindo um atendimento de qualidade, com melhor disponibilidade e melhor percepção destes do que se vai fazendo em concreto em cada Instituição.

    o A Direcção Geral de Saúde estabeleça prioridade nos objectivos de formação na área de prevenção das IACS para efeitos de fundos comunitários, no sentido de que cada Instituição possa candidatar-se a estes fundos servindo de uma mais valia na uniformização de normas e boas práticas, permitindo o desenvolvimento de competências dos profissionais e a concretização do plano operacional de prevenção e controlo da infecção hospitalar de cada Instituição.

  3. As Unidades de Saúde são cada vez mais complexas e exigentes, o que torna a acção das Comissões de Controlo de Infecção (CCI) cada vez mais importante e relevante no contexto da melhoria continua da qualidade, contribuindo ainda na redução de custos e ganhos em saúde, uma vez que grande parte das recomendações das boas práticas são medidas simples, como é exemplo a higiene das mãos.
    É emergente a valorização por parte dos órgãos de gestão e por todos os profissionais, pois a CCI é o meio privilegiado que pode levar os profissionais à adopção das boas práticas, reduzindo as infecções evitáveis em cerca de 30 a 50%, reduzindo simultâneamente custos e promovendo ganhos em saúde. Outra questão não menos importante é a uniformização de normas nas Unidades de Saúde, a qual deverá ser recomendada pelo PNCI, pois só assim podemos comparar resultados e aferir procedimentos. Para que este facto possa ser uma realidade,é obrigatório a afectação de recursos adequados ao PNCI, que até ao presente momento tem sobrevivido à custa de muito boa vontade e dedicação dos excelentes profissionais que aí têm trabalhado. A prevenção e CI é uma peça fundamental para o sucesso das organizações, sendo os seus profissionais um activo importante no sucesso dos resultados dos indicadores de qualidade em saúde. Assim, porque não lhes tem sido dado o devido reconhecimento, poder de actuação e dotação dos recursos necessários (enfermeiros, médicos, administrativo…meios informáticos…)? Não é compreensível. Espero ter finalmente chegado o momento, de se deixar de pensar e agir em como o CI é da exclusiva responsabilidade dos enfermeiros e que precisam de “quase nada” para o fazer. Quem responde pelas taxas de infecção cirúrgica? Não é o cirurgião?
    As Unidades de Saúde deveriam ter incentivos para redução das taxas de infecção e penalizações para quem se afaste dos limites aceitáveis. Contabilizam-se os custos das IACS? E os custos da “não produtividade” de um doente que durante o tratamento adquiriu uma IACS?
    Também é altura do reconhecimento destes profissionais, nomeadamente dos enfermeiros, através da Ordem. Já temos muitos com pós graduações e até mestres em CI (em grande maioria custeados pelo próprio).
    Temos falado sobre a certificação das CCI…porque não? Deveríamos investir para a sua concretização.

  4. Tendo em vista o cumprimento dos objectivos implícitos no PNS 2011-2016, ao nível de valores e princípios e para que se garanta o acesso aos cuidados de qualidade torna-se crucial valorizar o papel das CCIH, ajudando-as a desenvolver a sua missão de forma sustentada e credível.
    De tal modo, que é fundamental promover o reconhecimento dos profissionais de controlo de infecção na construção de instrumentos que permitam a aplicação de medidas que nos direccionem às boas práticas e assim, actuar ao nível da prevenção das IACS.
    Para se maximizar os ganhos em saúde implica apostar na prevenção. Apesar de os ganhos não serem visíveis a curto prazo, vamos certamente, ganhar muito no futuro, quer a nível económico, quer a nível pessoal.
    Os órgãos de gestão devem reconhecer e promover o trabalho desenvolvido pelas CCIH’s para que se possa fazer cumprir as normas e as boas práticas, responsabilizando quem não o faz. Pequenos gestos podem fazer a diferença!!!

  5. O “Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infecção Associada aos Cuidados de Saúde (PNC)I”. (terminologia adequada), sediado na Direcção-Geral da Saúde (DGS), no Departamento da Qualidade na Saúde (DQS), Divisão de Segurança do Doente, está, de acordo com as novas orientações da OMS, do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), dos Centers for Diseases Control and Prevention (CDC), da Joint Commission, bem enquadrado em matéria de decisão na Saúde, já que a Qualidade na Saúde é o grande “chapéu” que abarca a qualidade nos processos, nas estruturas e nos resultados a favor da qualidade dos cuidados de saúde. Por sua vez, a Segurança do Doente inclui as questões relativas à Segurança do Doente e Gestão de Risco, no qual, se integra a Prevenção e o Controlo da Infecção. No entanto, é um sentimento comum a muitos profissionais que exercem funções nas Comissões de Controlo de Infecção (CCI) que o PNCI tem vindo a perder a sua “identidade” própria. Este Programa tem uma história na Saúde em Portugal, mas foi durante 2 décadas, secundarizado sempre em relação a outros Programas e outras Iniciativas na área da saúde, como se de um programa de menor importância se tratasse. Por decisão política, o PNCI viveu em constante mobilidade até 2007: Esteve sediado no IGIF durante cerca de uma década, posteriormente na DGS (apenas um ano), depois no INSA (entre 2002 e 2007) e em 2007 voltou para a DGS, onde me parece de facto adequado no contexto e âmbito do DQS. Parece que pela 1.ª vez há “vontade política” para assumir o PNCI como um programa fundamental. O Programa tem vindo a ser sedimentado e credibilizado junto das Unidades de Saúde (US) ao longo destes anos, sempre com a preocupação de ir de encontro às directrizes europeias e mundiais nesta matéria. O PNCI está bem desenhado e muito bem fundamentado e directivo no seu Manual de Operacionalização. Foram reestruturadas as CCIs e foi dada continuidade e ampliação à rede nacional de vigilância epidemiológica, da qual constam diversos programas de registo de infecção em rede nacional que permitem fornecer dados em tempo útil e apropriados, não só aos utilizadores nacionais, como também à rede de registo de infecção europeia. A situação epidemiológica da infecção em Portugal é hoje bem conhecida e caracterizada. Houve um maior envolvimento dos órgãos de Gestão das US nas iniciativas de âmbito nacional e dos próprios profissionais de saúde, já que muitas das iniciativas têm sido desenvolvidas com grande envolvimento dos prestadores de cuidados e dos gestores. A criação dos grupos coordenadores regionais de CI (GCR), sediados nas ARS constituiu como uma iniciativa de grande peso não só para a descentralização das actividades de CI, como para melhorar a articulação entre US por áreas regionais. Agora que há um melhor conhecimento da realidade nacional nesta área, é preciso investir mais no apoio directo através de visitas de profissionais da DGS e dos GCR às US para acompanhar a implementação das actividades propostas. Mas para que isto seja possível deve ser reforçada a equipa de CI na DGS. Por outro lado, é necessário promover junto das Ordens Profissionais a necessidade de serem reconhecidas as competências dos profissionais de CI. Quer a nível da DGS, quer a nível das US foi feito um grande esforço para a melhoria da situação da IACS, o que é necessário é que o PNCI continue como um Programa Nacional, inserido no PNS, e se mantenha com autonomia suficiente que permita continuar a desenvolver a sua acção tal como traçado, devendo para tal a equipa coordenadora do PNCI ser reforçada, já que as actividades de CI e de segurança do doente propostas pela União Europeia e pelo ECDC são imensas. É tempo de ser dado o devido valor ao CI pelas implicações na qualidade de vida dos utentes, na mortalidade, morbilidade, custos para o SNS para o dente e família e para a comunidade em geral.

  6. A prevenção e controlo da infecções associadas aos cuidados de saúde (IACS), reconhecida e considerada uma prioridade estratégica nacional para a qualidade na saúde, deveria integrar o Plano Nacional de Saúde de uma forma reforçada.
    As CCI´s que têm um papel tão importante , mas pouco reconhecido nas instituições, deveriam ser de igual forma reforçadas e valorizadas, tal como preconiza o PNCI. Mas, quem controla , obriga e fiscaliza a implementação de CCI´s nas instituições publicas e ou privadas?
    Todos os contributos já dados sobre esta problemática deveriam ser considerados, desde o estatuto das CCI´s, dotação de meios humanos, equipamentos, etc., e porque não a “inovação” ´(já referenciada) da certificação das CCI´s?
    Corroborando com os contributos já dados , obviamente não os vou repetir, mas gostaria de deixar uma reflexão: porque será que os contributos dados sobre as IACS são em maioria dos Enfermeiros?

  7. Bom dia

    Após leitura dos comentários já efectuados, é inequívoca a importância da prevenção e controlo de infecções associadas aos cuidados de saúde e a sua relação com a prestação de cuidados com qualidade. Após constatação do panorama Europeu concluí que, em Portugal, temos profissionais dedicados ao controlo de infecção, com formação e motivação comprovada, capaz de levar a cabo programas de vigilância epidemiológica e controlo de infecção baseados em evidências. Apesar disso, é com muito pesar que continuamos a ser uma referência Europeia…com as piores taxas de infecção, nomeadamente no que concerne a infecções/ colonizações por MRSA (com morbilidade e mortalidade associadas). Considero que o próximo passo terá de passar pelo aumento do apoio às CCI’s (pobremente dotadas de recursos humanos e materiais/ software) e aos seus profissionais (cuja formação é muitas vezes custeada pelo próprio, apesar das indicações do PNCI), pela divulgação e utilização dos dados obtidos pelos programas de vigilância levados a cabo (optimização do trabalho imenso e moroso das CCI’s) e pela alteração das responsabilidade/ autonomia das CCI (com poder meramente consultivo levando à valorização apenas de factores económicos, ainda que pensados apenas a curto prazo, aquando da tomada de muitas decisões em contexto de prestação de cuidados de saúde). Está comprovado que com pequenas acções e com custos limitados se conseguem obter resultados impressionantes em controlo de infecção, com enormes ganhos em saúde. O exemplo tem de partir dos líderes, dos órgãos de gestão, com prémio para as instituições/ profissionais que melhor cumpram as normas preconizadas em controlo de infecção e imputação de responsabilidades para os que não as cumprem, mantendo a regulação eficaz de todo o sistema de saúde (público e privado). Apoiar o PNCI é apoiar a qualidade dos cuidados prestados em Portugal, com projecção Mundial. É tempo de mudar a cultura de prestação de cuidados, passando pela crescente valorização do controlo e prevenção de infecções associadas aos cuidados de saúde.

  8. É com agrado que vejo que o PNS 2011-2016 pretende afirmar-se como um documento de continuidade com o PNS 2004-2010, através da continuidade de alguns dos objectivos e programas e do processo de monitorização dos resultados. No anterior programa foram identificadas várias lacunas ao nível da estrutura e organização existente para o controlo de infecção e definidos objectivos a atingir. Sabemos que foi realizado trabalho no sentido da melhoria, mas muito fica para fazer no próximo período, no sentido de colmatar os problemas identificados. Destes, gostaria de salientar alguns aspectos:
    1. A existência de uma estrutura multidisciplinar efectiva (com a participação efectiva de todos os seus membros) a operar nos locais de prestação de cuidados. Que feed-back tem o Programa Nacional de Controlo de Infecção/Programa Regional acerca do funcionamento efectivo das Comissões de Controlo de Infecção, para além dos dados obrigatórios que são enviados? (diga-se que com um grande esforço das instituições para os produzir…);
    2. A existência de uma estrutura nacional de apoio, quer na pesquisa e recolha documental dirigida a esta área tão importante, quer no apoio à análise a casos pontuais que surjam no dia-a-dia, com consultadoria realizada por especialistas experientes na área. Propostas de políticas/normas nacionais aos vários níveis, para referência também faltam;
    3. O uso da informática – onde está o acesso directo aos resultados do laboratório para a maioria das CCI?
    4. Os escassos recursos existentes para operar no terreno das instituições andam ocupados a fazer pesquisa bibliográfica, a elaborar normas, a tentar obter informação dos laboratórios e a disponibilidade dos microbiologistas, a criar programas para tratar os dados recolhidos e criar checklists/grelhas de auditoria e modelos de relatórios.

    Os meus parabéns para a Campanha Nacional de Higiene das Mãos, organizada pela DGS. Foi fácil implementar e todo o país teve a oportunidade de implementar uma campanha que já estava delineada. Todas as outras áreas/programas do controlo da IACS merecem o mesmo cuidado. Onde está a estrutura nacional de apoio? Parece-me fundamental prever para o PNCI os recursos humanos e de estrutura capazes de suportar este apoio de uma forma efectiva e em tempo útil.

  9. No contexto actual, onde cada vez mais se ouve falar em “ganhos em saúde” nas suas várias vertentes, penso que chegou a altura de apoiar e investir solidamente numa das áreas, que pela sua abrangência, mais contribui neste sentido, a Prevenção e Controlo de Infecção.
    Temos muitas “perdas em saúde”, tanto económicas como sociais, pessoais, familiares, laborais…
    Prevenindo evita-se o internamento prolongado, os custos acrescidos, os transtornos familiares, a diminuição da produtividade, o decréscimo do rendimento familiar…o reinternamento, a incapacidade física e psíquica, a morbilidade… a mortalidade. Controlando evita-se o envolvimento de terceiros quebrando-se o ciclo que multiplica as opções acima descritas em “muitos iguais”. Gastar para prevenir e não gastar para remediar, deve ser o mote para uma política que se quer eficaz, segura e de qualidade relativa aos cuidados de saúde prestados, aos vários níveis de actuação.
    Assim, (e o meu contributo vai neste sentido) é imperativo actuar através do PNCI, dotando-o e reforçando o seu referencial humano (excelente), para que lhe seja possível dar resposta às necessidades actuais através de uma conduta pró activa, actualizada, acessível, disponível e motivadora: deverá ser gerador tanto de regulamentos, como de formação e monitorização – dar a cumprir e fazer cumprir; conseguir chegar às CCIs, ajudando-as a desenvolver a sua missão de forma sustentada e credível face aos seus pares; promover o reconhecimento dos profissionais de controlo de infecção perante as entidades competentes; e porque não desenvolver a Certificação das Comissões de Controlo de Infecção?

  10. Tendo em atenção o valor fundamental “de cuidados de qualidade” e do objectivo “obtenção de um documento que contribua com orientações estratégicas claras, dirigidas à maximização de obtenção em ganhos em saúde, de forma sustentável, contínua, monitorizável e avaliável” do PNS 2011 – 2016, penso que as CCI teriam uma capacidade inequívoca para dar resposta a este valor e objectivo.
    A OMS reconhece que a IACS dificulta o tratamento adequado de doentes em todo o mundo, sendo também reconhecida como uma causa importante de morbilidade e mortalidade, bem como do consumo acrescido de recursos quer hospitalares, quer da comunidade. Segundo Martins et al (2008), a infecção hospitalar continua a ser um problema actual, já no séc. XVIII constituiu preocupação, conforme podemos constatar pelo trecho transcrito de Wenzel (1987: 85) “…o que poderá haver de mais contraditório em si do que uma afecção hospitalar, doença contraída no local onde se veio procurar a cura de outra perturbação”. O adquirir de uma IACS é um indicador representativo da qualidade dos cuidados prestados pelos profissionais de saúde.
    As CCI são naturalmente, uma peça fundamental num processo de melhoria contínua de qualidade, pelo papel que desempenham na resolução de problemas direccionados à aquisição IACS. Vários estudos nos anos 1980 demonstraram que através de programas de controle de infecção poderia-se reduzir de forma significativa a incidência das IACS e respectivas complicações, e também poupar recursos. Nessa época as evidências apontavam que cerca de um terço dessas infecções poderiam ser evitadas por meio da implementação de programas efectivos de controle de infecção.
    Só as CCI poderão levar à tomada de consciência de todos os profissionais de saúde, para a redução das más práticas. Tal como sugere Haley et al. (1985), a intervenção atempada junto dos profissionais de saúde durante o internamento do doente, com estratégias preventivas e monitorização das infecções, pode reduzir até 30% as infecções hospitalares.

  11. Ao analisar a proposta do PNS para 2011/2016, congratulei-me verificar que o modelo conceptual adoptado irá ter como foco, entre outros aspectos o da Qualidade.
    A Qualidade engloba muitos factores e é transversal às instituições de saúde. Um dos factores mais importantes da qualidade é sem dúvida a segurança do utente, nomeadamente na prevenção e controlo da infecção associada aos cuidados de saúde prestados. É inclusive considerada uma das metas internacionais de segurança do doente, preconizada por organizações internacionais de acreditação da qualidade. Assim sendo creio ser o momento de se apoiar os órgãos, que a nível nacional, regional e local lutam por estas questões tão desvalorizadas por muitos e tão fundamentais para o verdadeiro foco da nossa atenção, O UTENTE. Se pensarmos que um terço das infecções ocorridas nas nossas instituições poderiam ser evitáveis, vale o esforço de investir no Programa Nacional de Controlo de Infecção, e no reforço das Comissões de Controlo de Infecção, para termos verdadeiros ganhos em saúde, não só económicos como sociais.

  12. No âmbito da avaliação do PNS 2004-2009 reportado no último relatório da primavera em 2010 é possível constatar que nada ou muito pouco foi avaliado sobre as metas alcançadas ou por alcançar no referido plano. Refere as metas intermédias definidas para atingir até final de 2009 mas não refere as que foram realmente atingidas. Sem este passo ser executado não é possível saber o que falta fazer, além de se avaliar a eficácia e efectividade do plano.
    É importante lembrar que o PNCI (programa nacional de controlo de infecção) delineou o seu plano sob as três vertentes principais na prevenção das IACS: Vigilância das infecções para monitorização das taxas de infecção (alguns programas já iniciados), formação aos profissionais (desconhecemos a percentagem de profissionais com formação) e o desenvolvimento de normas orientadoras de prevenção e controlo de infecção nas unidades prestadoras de cuidados de saúde (as actuais estão muito desactualizadas). O meu contributo vai no sentido de lembrar da carência de orientações nacionais a este nível que permitam às comissões de controlo de infecção, ou aos profissionais com essa responsabilidade, ter referências na sua actuação diária. Por exemplo – Precauções básicas, precauções baseadas nas vias de transmissão, manutenção de um ambiente seguro na prestação de cuidados, manutenção de materiais e equipamentos clínicos, políticas de antissépticos e desinfectantes,……

  13. As Infecções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS) constituem hoje um dos maiores desafios da medicina, quer pelas suas implicações na segurança dos doentes e na qualidade dos cuidados, quer pelos seus custos económicos e sociais associados.

    Na Europa e EUA, 5-10% dos utentes adquirem uma ou mais infecções. Nas Unidade de Cuidados Intensivos as IACS afectam cerca de 30% dos doentes e a mortalidade atribuível ronda os 44%. Ainda nos EUA, as IACS são causa directa de aproximadamente 80 000 mortes por ano, e de 5 000 na Inglaterra. Os custos das Infecção do Tracto Urinário são de cerca de 500 euros por caso e 40.000 euros para as Infecções da Corrente Sanguínea nas Unidades de Cuidados Intensivos. Esta é uma realidade inquietante.

    O relatório da EARSS (European Antimicrobial Resistance Surveillance System), que fornece análises de tendência com informação de retorno através de um website interactivo (www.rivm.nl/earss), refere que quase todos os países europeus demonstram descidas ou estabilização nas taxas de MRSA com a excepção de Portugal e Malta, os dois países em que a taxa é superior a 50%.
    O Inquérito Nacional de Prevalência realizado em Maio de 2009, obteve uma prevalência de doentes com IACS de 9,8% e de doentes com Infecções adquiridas na Comunidade (IC) de 20,3%. O estudo anterior realizado em Maio de 2003 obtivera uma prevalência de 8,7% de doentes com IACS e 22,7% de doentes com IC. Em 2009 Staphylococcus aureus meticilina resistente (MRSA) foi o microrganismo mais frequentemente isolado nas IN (15,8%).
    Dadas as dificuldades no acesso a informação que permita uma análise séria deste problemática e, porque é fundamental acompanhar a avaliação dos resultados para proceder a eventuais alterações e, assim, garantir o cumprimento das metas estabelecidas a nível local e central, é urgente que as CCIs tenham o apoio e o acompanhamento necessário dos Órgãos Centrais (DGS / PNCI) de forma a estarem capacitadas para dar resposta a esta necessidade urgente no país.

  14. Venho por este meio solicitar uma maior divulgação junto dos profissionais de saúde, nomeadamente médicos clínicos gerais, informações e directivas internacionais e europeias, relativamente à promoção do aleitamento materno. Profissionalmente deparo-me diariamente com situações de mães que são aconselhadas a deixar de amamentar, pois a convicção do profissional de saúde é de que o aleitamento materno não tem grandes vantagens. Falo também na 1ª pessoa, uma vez que me encontro a amamentar um bebé de 20 meses, e embora as recomendações da OMS sejam de que se deveria amamentar pelo menos até aos 2 anos de vida do bebé, quando me dirigi ao meu médico de família para pedir a respectiva declaração para apresentar na minha entidade profissional, a clínica manifestou claramente o seu desagrado quanto a esta prática, por ter essa convicção pessoal, e acrescentou que se eu tivesse que pedir uma declaração semelhante aquela novamente, que ela se iria recusar a passa-la, porque não vê interesse em que eu continue a amamentar. Lamento profundamente este tipo de situações uma vez que demonstram profundo desconhecimento sobre a questão da amamentação, e neste momento em que se pretende promover o aleitamento materno a nível europeu e mundial, continuam a existir muitos profissionais que não se imiscuem de barrar intencionalmente a prática daquele.

    • Pois eu penso que os profissionais de saúde têm conhecimento dos benefícios do aleitamento materno. Não podem é ser veículos de contínua falta de profissionalismo das mães que aproveitando esse motivo retiram tempo de serviço nas suas actividades profissionais. Isso faz sentido sim nos primeiros meses de vida mas começa a não fazer sentido quando as crianças associam à amamentação já muitas refeições para além do leite. Assim o complemento do leite materno pode ser efectuado no horário fora das horas de serviço e assim não ser necessário a dita declaração.

      • O leite materno deve ser feito em exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida do bebé, supre todas as suas necessidades, inclusive de água. A partir dos 6 meses inicia-se a alimentação complementar ou também chamada alimentação diversificada. O aleitamento deve continuar até ser possível. As Leis da República protegem a mulher grávida, puérpera ou lactante. No caso da lactante, esta tem direito a dispensa diária para amamentação durante o tempo que durar a amamentação, gozada em dois períodos distintos, com a duração máxima de uma hora cada devendo a trabalhadora apresentar atestado médico se a dispensa se prolongar para além do primeiro ano de vida do bebé. O aleitamento materno deve-se manter enquanto houver possibilidade. Em caso de dúvida ligue 800 204 684 para Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego. Os profissionais de saúde devem conhecer melhor o Código Internacional de marketing de substitutos de leite materno biberões e tetinas.

  15. Que as hepatites B e C crónicas sejam declaradas como DDO(s) – Doenças de Declaração Obrigatória-, derivado ao número elevado de portadores que existem sem estarem declarados, o que altera substancialmente as estatísticas.
    Muito Obrigada
    Maria Pereira

  16. Epilepsia:
    500 mil doentes com epilepsia em Portugal.
    Estimando-se que a incidência seja de 4 a 7 casos por mil habitantes, como doença CRÓNICA que é, penso que deveria estar contemplada, (como estão e muito bem, outras doenças crónicas), no plano de ISENÇÃO de TAXA MODERADORA.
    Muito grata pela oportunidade
    Maria Fernanda Pedroso

  17. Penso que deveria estar contemplado no PNS um capítulo para as doenças do fígado.
    As razões são muitas: alcoolismo, hepatite C, hepatite B, cancro do fígado, obesidade, hepatites tóxicas, transplante hepático, forte impacto das hepatites a nível psicológico, a nível da toxicodependência, prisões, infecção VIH, etc. Necessidade de integração em cuidados paliativos, cuidados continuados, etc.
    [file]http://www.acs.min-saude.pt/pns2011-2016/files/2010/03/Burden Hepatologia PNS2010-2016 Rui Marinho.pdf[/file]

  18. A Associação Portuguesa de Nutricionistas entende que no próximo Plano Nacional de Saúde dever-se-ia dar maior enfoque à nutrição, visto ser uma área determinante para a promoção da saúde e para o tratamento de diversas doenças. Assim, deixamos os seguintes contributos:

    1. Avaliação e monitorização através da aplicação do inquérito alimentar/nutricional nacional à população, com uma periodicidade de 10 em 10 anos (de 5 em 5 anos fazer uma sub-amostra em conjunto com o inquérito às despesas das famílias);
    a. Inquérito quantitativo às 24h anteriores dentro e fora de casa
    b. Avaliação do estado nutricional
    2. Avaliação dos indicadores salutogénicos no primeiro contacto nos cuidados de saúde primários (CSP);
    3. Avaliação do risco nutricional na admissão hospitalar e monitorização durante o período de internamento;
    4. Vigilância dos desperdícios alimentares resultantes dos hábitos de consumo dos cidadãos;
    5. Integração de nutricionistas para um trabalho eficaz nos diversos serviços de saúde (1/20.000 utentes nos CSP; 1/100 camas nos cuidados de saúde secundários e terciários);
    6. Concepção e implementação de programas que promovam o empoderamento das populações na área da alimentação e nutrição, capacitando-as para opções alimentares mais saudáveis;
    7. Desenvolvimento e implementação de programas intersectoriais de educação alimentar no âmbito da promoção da saúde;
    8. Implementação de programas de promoção do consumismo alimentar;
    9. Vigilância da minimização de perdas nutricionais promovendo boas práticas de preparação e confecção de alimentos em contexto de alimentação colectiva;
    10. Desenvolvimento e promoção das competências dos manipuladores de alimentos como garante de uma alimentação segura;
    11. Desenvolvimento e promoção de programas de intervenção nutricional em grupos mais vulneráveis, nomeadamente grávidas, crianças, adolescentes e idosos;
    12. Desenvolvimento de acções de promoção do aleitamento materno exclusivo até, pelo menos, aos 6 meses de vida;
    13. Dotação de equipamento condigno e adequado para a prática de consulta de nutrição nos CSP e hospitalares, incluindo software específico;
    14. Participação de nutricionistas nas políticas alimentares e nutricionais comunitárias;
    15. Participação de nutricionistas na regulamentação de Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados e outros documentos nos quais os nutricionistas sejam alvo.

    [file]http://www.acs.min-saude.pt/pns2011-2016/files/2010/03/PNS 2011-2016_Associação Portuguesa dos Nutricionistas.pdf[/file]

  19. Os centros de saúde em Portugal, integram desde há vários anos e em algumas das suas equipas, enfermeiros especialistas em Saúde Mental e Psiquiatria. Na Rede de Referenciação de Saúde Mental, estes profissionais não estão contemplados, o que corresponde ao não reconhecimento do valor da sua intervenção especializada, provavelmente devida há invisibilidade dos ganhos do trabalho que desenvolvem.
    A minha sugestão vai no sentido de:
    – Incluir o contributo especializado dos enfermeiros especialistas em Saúde Mental e Psiquiátrica dos Cuidados de Saúde Primários na Rede (parceria com os serviços locais de Saúde Mental? Equipas Psiquiátricas Comunitárias?)
    – Incluir no novo Plano Nacional de Saúde uma nova área, reconhecida como prioridade da Saúde Pública: Programa de Saúde Mental.
    – Recomendar o desenvolvimento deste programa nas Unidades Cuidados Continuados, já que é uma área de especial vulnerabilidade e risco e a Unidades Cuidados Continuados dispõe de equipa multidisciplinar.
    Grata pela vossa atenção.
    Glória Durão Butt

  20. Bons dias:
    Apresento aqui uma breve resenha do que se faz, na Fisioterapia na Comunidade, para que não se perca a informação já que a nossa actividade não tem sido visível em indicadores nacionais.

    A Vós vos deixo a conclusão.

    Agradeço que façam a recolha do contributo dos fisioterapeutas que trabalham nos ACEs e CS de todo o país, de modo a estimular mais recursos humanos nestas áreas que já são muitas.
    Dou alguns exemplos :

    Participamos de equipas como a de Cuidados Continuados – recepção em casa de altas de avc, e fracturas de colo do fémur, assistência de patologias neuromusculares, respiratórias, etc…

    Desenvolvemos actividades conjuntas com outros técnicos (Hig oral, Psic e Enf) na Preparação para o Nascimento- activando e demonstrando vantagens dum parto participativo, treinando técnicas de relaxamento de esforço;

    Recepção ao recém nascido, resolvendo ou referenciando à Intervenção precoce, participando nela;

    Na Saúde Escolar, Rastreio de atitude escoliótica em adolescentes, com o seguimento e acessibilidade garantida.

    Na Saúde Ocupacional, fazendo prevenção e tratamento de Cervico-braquialgias, lombalgias, contracturas várias, tendinites devidas ao trabalho, acompanhamento com ortóteses se necessário.

    Salas de Movimento e Bem Estar em conjunto com Psicólogas numa dinâmica despertadora de actividade nos mais de 55 anos(temos muitos de 80) com treino de protecção em simulação de quedas e redução da necessidade de ansiolíticos.

    Ao vosso dispôr
    e que sirva para algo
    Melhores Cumprimentos

    Manuela Baeta
    Fisioterapeuta ACES V

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