CETIES: Sector Nacional do Termalismo e da Hidrologia Médica

8 de Junho de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Fernando Manuel Silva, Centro Tecnológico das Instalações e dos Equipamentos da Saúde, 25/05/2010

opiniaoDesejamos em primeiro lugar saudar esta acção pública de envolvimento de diferentes actores na definição do Plano Nacional de Saúde. A nossa Instituição vem por este meio marcar presença trazendo como contributo para reflexão e debate respectivamente o “sector nacional do termalismo e da hidrologia médica”, por nos encontrarmos a efectuar presentemente um diagnóstico sobre o seu “state of the art”.

Desde logo, esta actividade vem sendo olhada nas últimas décadas com alguma distância em relação à Política da Saúde em Portugal e urge que seja acompanhada e porque não dizê-lo integrada no universo do sector da saúde nacional.

Assiste-se hoje, quer em toda a Europa, quer no nosso País, quer no Mundo em geral, ao emergir da fileira termal, como um segmento do turismo da saúde, onde os estabelecimentos e equipamentos termais apresentam complexidade e especificidades similares, aos observáveis ao nível das demais instalações e equipamentos da saúde. Ora impõe-se, quer sob o ponto de vista técnico, quer sob o regulamentar, que se assegure o adequado licenciamento destas unidades de saúde, não só na sua componente hidrológica, aliás correcta e exemplarmente executada no nosso País, mas e sobre-tudo ao nível da instrumentação e equipamentos electromédicos que equipam hoje a generalidade dos estabelecimentos termais portugueses.

Importa igualmente olharmos para a problemática dos médicos hidrologistas deste País, onde apesar de desfrutarmos de séculos de tradição da nossa cultura termal, nem por isso soubemos ou porventura “desejamos” credibilizar e prestigiar cientificamente e academicamente esta especialidade médica. De forma tímida, quase anónima vamos assistindo à realização de cursos de especialização avulsos, para que uns tantos Médicos de Clínica Geral obtenham uns créditos disciplinares em hidrologia, para merecerem uma certificação e reconhecimento junto da sua Ordem e lhes permitam o exercício de funções em Unidades Termais. Perguntar-se-á pois, para quando uma «Cátedra em Hidrologia Médica e Termalismo» à semelhança do que existe há vários anos noutros Países da Europa e do Mundo. Será que este cenário mantido ao longo destas últimas décadas pretende ocultar algum desígnio inconfessado ?

Os protocolos e terapias ministradas nas diferentes Unidades Termais em funcionamento, mesmo quando para fins similares de reabilitação devem ser monitorizados e harmonizados, nos procedimentos e nas técnicas. A «metrologia da saúde» é hoje uma ciência exacta, que não se compadece nem com o empirismo, nem com uma simples sintomatologia.

Diagnosticar e fazer saúde nos dias de hoje é actuar multi-disciplinarmente e de forma integrada, onde um qualquer “técnico da saúde” incontornável e invariavelmente terá que se revisitar na instrumentação biomédica, que lhe é facultada.

O acto médico deixou de ser apenas o resultado de uma “arte e engenho”, para se transformar nos tempos modernos numa função tecnologicamente assistida e rastreabilizada.

Fernando Manuel Silva (CETIES)

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