ESDRM: Actividade Física e Saúde

5 de Julho de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Rita Santos Rocha, Escola Superior de Desporto de Rio Maior do Instituto Politécnico de Santarém, 28/05/2010

ESDRMInúmeras são as evidências científicas sobre os benefícios do exercício físico na promoção da saúde, fornecidas pela epidemiologia e através de programas de intervenção. Segundo a literatura mais recente, é inquestionável o potencial da relação entre a actividade física e a saúde e o bem-estar (1,2), relativamente aos seus benefícios a nível metabólico, mecânico, psicológico e social. A intervenção dos profissionais do desporto que actuam no contexto da “Actividade Física e Saúde” centra-se no desenvolvimento de programas de actividades físicas variadas; no pressuposto dos seus benefícios para a Saúde Pública (3); na interpretação das informações fornecidas por outros profissionais da Saúde, da Nutrição e da Psicologia; na utilização de métodos e técnicas de Avaliação das componentes da condição física; na estratificação de risco e avaliação subjectiva; na adaptação das linhas orientadoras da Prescrição do Exercício; e na adaptação das várias formas de exercício físico às diversas populações. Atendendo à diversidade de populações, é essencial abordar as características, os cuidados especiais, as necessidades, as motivações, as capacidades e os objectivos de um leque crescente de pessoas que procuram as actividades físicas formais, independentemente da idade e do seu estado de saúde e condição física.

Referimo-nos a cinco grandes grupos: 1) a população adulta aparentemente saudável; 2) as populações em fases especiais da vida, tais como as crianças, os idosos e as grávidas; 3) as populações especiais com determinados problemas de saúde ou incapacidades, tais como, problemas respiratórios, metabólicos, músculo-esqueléticos,
neuromusculares, cardiovasculares, entre outros; 4) as pessoas portadoras de deficiência; e 5) os atletas. Neste âmbito, os objectivos prendem-se essencialmente com a melhoria das componentes da Condição Física, do Bem-Estar, e da Saúde, quer no âmbito da intervenção primária, como da intervenção secundária.

Torna-se essencial possuir e desenvolver conhecimentos relacionados com as ciências do exercício e com as ciências da saúde pelo aumento efectivo do diálogo entre os vários profissionais. Por outro lado, o crescente número de modalidades requer uma formação especializada no que se refere ao seu desenvolvimento e possibilidade de adaptação técnica às diferentes populações. Actividades como a aeróbica, o step, a musculação, a hidroginástica, a natação, a localizada, o pilates, o pedestrianismo, entre outras actividades realizadas em meio natural ou artificial, são muitas vezes integradas nos programas de actividade física, uma vez que as suas características permitem satisfazer os requisitos recomendados pelo American College of Sports Medicine, acerca da quantidade de actividade física suficiente para a prevenção de doenças e melhoria da qualidade de vida (4-6).

Deste modo, torna-se necessário compreender e desenvolver a multidisciplinaridade da intervenção em Saúde Pública, pelo estabelecimento de bases do planeamento e implementação de projectos e/ou programas de Promoção da Saúde e Educação para a Saúde, com destaque particular para a diversidade de modalidades ajustadas à obtenção dos objectivos, satisfação e retenção dos praticantes.

Propõem-se as seguintes medidas:

  • Promover o diálogo entre profissionais de saúde e do desporto, através da organização de conferências, seminários e publicação de material técnico e científico;
  • Promover a formação especializada dos profissionais do desporto;
  • Promover a prática generalizada de actividade física formal e informal para todas as fases da vida, independentemente da capacidade física de cada um;
  • Promover a investigação aplicada através do desenvolvimento de intervenções fortes e efectivas;
  • Promover o ajuste da paisagem urbanística e natural a fim de facilitar meios de locomoção mais saudáveis como a marcha, a corrida e a bicicleta;
  • Promover os benefícios fiscais para os que se envolvem em programas de actividades física, particularmente na infância.

1. Hardman, AE & Stensel, D (2003). Physical Activity and Health. The Evidence Explained. London: Routledge.
2. Pedersen, BK & Saltin, B (2006). Evidence for prescribing exercise as therapy in chronic disease. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 16 (Suppl. 1): 3–63.
3. Donaldson, LJ & Donaldson, RJ (2003). Essential Public Health. 2nd ed (revised). Berkshire: Petroc press.
4. ACSM (1997). ACSM’s Exercise Management for Persons with Chronic Diseases and Disabilities. Champaign: Human Kinetics.
5. ACSM (2009). ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription. (8thed). Baltimore: Williams & Wilkins.
6. ACSM (2009). ACSM’s Resource Manual for Guidelines for Exercise Testing and Prescription (6th ed). Baltimore: Williams & Wilkins.

Rita Santos Rocha, Escola Superior de Desporto de Rio Maior do Instituto Politécnico de Santarém

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