ESSUAlg: Exercício Físico na Promoção da Saúde

11 de Novembro de 2010 / 2 Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por  da Ana de Freitas em colaboração com Sandra Pais, Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve, 31/05/2010

ESSUAlgPartindo do Plano Nacional de Saúde 2004-2010 e dos seus objectivos Estratégicos:
• Obter ganhos em saúde, aumentando o nível de saúde nas diferentes fases do ciclo de vida e reduzindo o peso da doença.
• Utilizar os instrumentos necessários, num contexto organizacional adequado, nomeadamente centrando a mudança no cidadão, capacitando o sistema de saúde para a inovação e reorientando o sistema prestador de cuidados;

A importância da prática regular de exercício fisco surge espelhada transversalmente em 11 dos 40 Programas enumerados no Plano Nacional de Saúde 2004-2010:
• Programa Nacional de Promoção da saúde em Crianças e Jovens
• Programa Nacional para a saúde das pessoas Idosas
• Programa Nacional de Prevenção e Controlo das doenças cardiovasculares
• Programa Nacional de Controlo da Diabetes
• Programa Nacional de Luta contra a Obesidade
• Programa Nacional de Luta contra a s Doenças Reumáticas
• Programa Nacional de Luta contra a Depressão
• Programa Nacional de Prevenção dos Problemas Ligados ao álcool
• Programa Nacional de Prevenção do Consumo de Drogas Ilícitas
• Programa Nacional de Luta contra a Dor
• Programa Nacional de Intervenção Integrada sobre Determinantes da Saúde Relacionadas com os Estilos de Vida

A importância da actividade física em patologias tais como as cardiovasculares, a osteoartrose, a osteoporose, as musculoesqueléticas, a diabetes, a obesidade bem como, os efeitos benéficos que o exercício físico têm ao nível das limitações funcionais e estados depressivos associados a muitas destas patologias, bem como ao nível da qualidade de vida destes doentes, é hoje inquestionável e existe inúmera investigação que o comprova.

1) Em que áreas e como podem os Portugueses obter mais ganhos em saúde de forma sustentável?

A partir das evidências científicas publicadas nos últimos 20 anos as sinergias existentes entre as áreas da Saúde e as do Exercício Físico estreitam-se substancialmente.

Apesar de serem evidentes os benefícios do exercício na saúde, os níveis de actividade física são particularmente baixos, nomeadamente a partir dos 55 anos altura em que a prevalência de doenças como osteoartrose, osteoporose,
cardiovasculares e diabetes aumentam, como o comprovam os resultados dos inquéritos nacionais de saúde.

Não é possível inverter esta situação de forma sustentada recorrendo à prescrição de fisioterapia e terapia ocupacional, durante curtos períodos de tempo uma vez que se sabe que os efeitos benéficos do exercício físico declinam e tendem a dissipar-se assim que se cessa a prática.

Toda a população nacional ganhava saúde com um comprometimento a longo prazo com a prática de exercício terapêutico ou não, fora dos programas convencionais de reabilitação. É importante generalizar o papel dos fisiologistas do exercício no desenvolvimento de programas específicos como defendido pelo American College of
Sports Medicine. Que define estes profissionais como profissionais que trabalham com sujeitos com doença cardiovascular, pulmonar, metabólica, ortopédica, musculoesqueletica, neuromuscular, imunológica ou hematológica, intervindo do ponto de vista do exercício clínico e da interpretação de dados associados ao mesmo, e
desenvolvendo a partir destes programas de intervenção comunitária.

Sem querer diminuir o papel dos programas convencionais de reabilitação, entendemos que é importante desenvolver programas de exercício susceptíveis de serem implementados em espaços comunitários, acessíveis a maior número de
pessoas, com uma relação de um técnico por 20/25 pessoas em vez de um técnico para uma pessoa como acontece no programas convencionais de reabilitação. Sendo possível baixar os custos directos da intervenção, mantendo nos programas de reabilitação convencionais apenas os doentes que em fazes especificas da sua recuperação necessitam de apoio e trabalho mais individualizado, e incrementando a prática regular e continua de exercício, a partir da qual seriam medíveis os ganhos para a saúde, da população em geral.

2) Que expectativas possui relativamente ao PNS 2011-2016?

Sendo o PNS um instrumento de enorme valor estratégico na promoção de melhorias das condições de saúde, temos a expectativa de que no PNS 2011-2016 contemple um novo Programa Nacional do Exercício Físico na Promoção da Saúde a criar entre a DGS e o IDP.

A criação dum Programa Nacional do Exercício Físico na Promoção da Saúde possibilitaria:
a) Primar o desenvolvimento de estratégias de promoção da prática regular de exercício nos serviços nacionais de saúde.
b) Envolver o IDP na acreditação dos programas de exercício que obedeçam a aos mais elevados critérios de qualidade de intervenção, quer através da certificação dos técnicos, que na adequação dos espaços em parceria com as autarquias.
c) A avaliação rigorosa da implementação dos programas divulgação dos resultados do ponto de vista dos ganhos para a saúde.

3) Como é que o PNS 2011-2016 pode apoiar a missão da vossa instituição na obtenção de ganhos em saúde de forma sustentável?

A Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve, na sua missão pretende transmitir e difundir conhecimentos no âmbito da saúde.

O PNS poderá apoiar a adopção de medidas como:
• A introdução de Unidades Curriculares obrigatórias sobre os benefícios do exercício físico e a saúde ao nível do 1º ciclo de formação em cursos como os de Dietética e Nutrição, Enfermagem, Farmácia e Medicina.
• Ao nível dos 2º e 3º ciclos de formação fomentar relações entre as Escolas de Saúde e Faculdades de Medicina e as Faculdades de Motricidade Humana e Desporto.

4) Como é que os resultados da vossa instituição, na obtenção de ganhos em saúde, podem ser percebidos, medidos e valorizados?

Os efeitos benéficos do exercício para podem facilmente ser provados ao consultamos os inúmeros artigos publicados em revistas de referência internacional e nos trabalhos de mestrado e doutoramento realizados na Faculdade de Motricidade Humana e Faculdade de Desporto e Educação Física.

Os efeitos do reconhecimento estratégico da importância do exercício ao nível do PNS deverá ser um dos objectivos do Programa Nacional do Exercício Físico na Promoção da Saúde que se propõe, contando com a colaboração dos intervenientes DGS e IDP.

Ana de Freitas em colaboração com Sandra Pais (Directora da Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve)

2 comentários sobre “ESSUAlg: Exercício Físico na Promoção da Saúde

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  1. Na qualidade de coordenadora de um curso de mestrado em actividade física em populações especiais e como investigadora na área, concordo na generalidade com as colegas. Torna-se cada vez mais importante desenvolver equipas, não multidisciplinares, mas interdisciplinares, de forma a disseminar o conhecimento sobre o papel do exercício físico na saúde, e reforçar a intervenção especializada dos profissionais do desporto nos vários contextos sociais! Esta intervenção passa pelo conhecimento das formas de exercício disponíveis (em termos de equipamento e logística), pela intervenção pedagógica adequada, pela adapatação do exercício às necessidades, cuidados e objectivos (realistas) das pessoas, e fundamentalmente pela aplicação dos estímulos (metabólicos, biomecânicos, etc.) adequados. essencilamente, saber promover a actividade física pelo bem-estar que provoca!

  2. Isso todo mundo sabe! Exercícios são excelentes para a saúde! Lembram-se da história dos ratos e do gato? Quem vai amarrar o sino no pescoço do gato? Ou seja quem serão os trabalhadores da saúde (fisioterapeutas, animadores sociais, prof. de educação física, medicina física, medicina do trabalho) que colocarão as pesssoas em movimentos adequados para melhorar a qualidade de vida?

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