FMD-UL: Saúde Oral

9 de Junho de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Paula Marques e Mário Bernardo, Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, 25/05/2010

FMD-ULA saúde oral é uma parte integral da saúde geral e indissociável da mesma. Por si só, a saúde oral é fundamental para o bem-estar físico e mental. As doenças orais constituem um problema de saúde pública devido à sua elevada prevalência e incidência, afectando todas as idades. Os problemas orais, devido ao elevado custo dos tratamentos oro-dentários e aos custos indirectos que derivam do absentismo escolar e laboral, têm um impacto sócio-económico que não deve ser negligenciado.

Em Portugal tem ocorrido, tal como em outros países industrializados, uma redução da cárie dentária na população geral. Verifica-se, no entanto, uma concentração e aumento da gravidade da doença em cerca de 25% da população constituída principalmente pelos grupos socialmente desfavorecidos. Por outro lado, o envelhecimento da população e o aumento da esperança de vida têm-se traduzido num aumento dos problemas periodontais, entre outros, específicos dos grupos etários mais idosos. Na outra extremidade do espectro etário, a cárie de infância, afecta em Portugal, segundo estudos recentes, perto de um terço da população com idades inferiores aos 6 anos. Problemas como o cancro oral, os traumatismos dento-faciais, as maloclusões ou as manifestações orais da SIDA/VIH não devem ser negligenciados pois afectam um número considerável de indivíduos e acarretam consequências significativas.

Embora as doenças e os problemas referidos estejam associados a factores de risco de natureza sócio-económica complexa, são na sua maioria preveníveis através de medidas de promoção da saúde relativamente simples e económicas, sobretudo quando comparadas com os custos associados ao seu tratamento e reabilitação.

Relativamente à saúde oral, as orientações estratégicas delineadas no Plano Nacional de Saúde 2004-2010 mantêm-se actuais, pelo que deverão ser mantidas. É desejável um reforço relativamente a alguns grupos especiais ou desprotegidos, tanto no que respeita à promoção da saúde oral como ao tratamento e reabilitação. Desta forma, as crianças em idade pré-escolar, a população geriátrica, as grávidas, as pessoas com deficiência e os doentes crónicos deverão, desejavelmente, beneficiar de atenção especial no Plano Nacional de Saúde 2011-2016.

Paula Marques e Mário Bernardo (Faculdade de Medicina Dentária – Universidade de Lisboa)

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