GER: Retinopatia Diabética, Plano de Gestão Integrada da Diabetes

14 de Dezembro de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por José Henriques, GER – Grupo de Estudos de Retina – Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, 06/12/2010

GERApresentamos um documento elaborado pelo grupo de trabalho constituído no âmbito do GER – Grupo de Estudos de Retina da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia para ser apresentado ao PNS 2011-2016. Este estudo teve igualmente o contributo do Colégio da Especialidade de Oftalmologia que o aprovou a 2 de Dezembro e conta também com o apoio da SPILM – Sociedade Portuguesa Interdisciplinar do Laser Médico.

Trata-se de um contributo para o Plano Nacional de Saúde (PNS) que enquadra o problema da Retinopatia Diabética (RD) numa perspectiva de Governação Clínica – gestão da doença crónica.

São tidos em conta a sustentabilidade do plano, chamando a atenção para os apreciáveis ganhos em eficiência, se for adoptado o modelo proposto, baseado no modelo da gestão da doença renal crónica, já implantado. São também referidos os ganhos em eficácia e equidade conseguidos através de uma lógica de resposta de proximidade ao doente, evitando o transporte de doentes ao mínimo.

Valoriza-se tudo o que no país já está a ser realizado na detecção e tratamento da RD mas acrescentando-lhe inovação no processo, naquilo que respeita ao tratamento, através da implementação de Unidades de Excelência no Diagnóstico e Tratamento Integrado da Retinopatia Diabética (UEDTIRD) de 3 tipos, conforme a diferenciação de cuidados a prestar. Evita-se assim que o doente diabético chegue à baixa visão ou cegueira por atraso no tratamento, através de uma resposta precoce de proximidade que conte com a capacidade local instalada.

O resumo do documento sobre a Detecção Precoce, Diagnóstico e Tratamento de Proximidade da Retinopatia Diabética Plano de Gestão Integrada da Diabetes:

Devido à prevalência da Diabetes Mellitus, a Retinopatia Diabética – principal complicação oftalmológica da diabetes e principal causa de cegueira na idade activa, torna-se um problema relevante de saúde pública.

A resposta actual ao problema não é eficaz, é ineficiente e encerra o risco de prática desviada das recomendações da evidência clínica porque é, normalmente, uma resposta tardia.

Assim sendo, é importante que o planeamento em saúde (PNS em elaboração) tenha em conta este determinante de saúde com impacte económico-social e consumo de recursos muito relevante.

A Gestão Integrada da Retinopatia Diabética no contexto mais alargado da Gestão Integrada da Diabetes, poderá passar pela adopção de um modelo semelhante ao da gestão da doença renal crónica. Sugere-se um modelo de criação de Unidades de Excelência no Diagnóstico e Tratamento Integrado da RD (UEDTIRD), sempre que possível de âmbito local, articuladas, com recurso a TI (tecnologias de informação) com os Centros de Saúde/USF, as unidades móveis de detecção precoce da RD (UMDPRD) e os Centros de Leitura e Referenciação e Auditoria(CLGRA) que coordenem o estadiamento/grau de gravidade da RD, façam a referenciação e a auditoria do processo. As UEDTIRD criadas com base na capacidade instalada quer pública, terceiro sector ou privada, deverão dar uma resposta local, total e segmentada, consoante o estadio/nível de gravidade da doença, que possa ser monitorizada em tempo real com recurso a indicadores robustos e adaptados e que tenha financiamento próprio, à semelhança da gestão da doença renal crónica, compreensivo mas ajustado pelo risco.

Desta forma, pelo seu pendor local, em vez de referenciar o doente a dezenas ou centenas de Km, permite uma capacitação/ empoderamento do doente estimulando o auto controle (reforçado cada vez que o doente contacta o Centro de Saúde/Unidade de Saúde Familiar, o oftalmologista, a unidade saúde ou a autarquia), mobilizando a família e a comunidade local no conhecimento da doença e na adopção de práticas saudáveis que um hospital distante não consegue realizar. Estas medidas preconizadas no documento estão mais de acordo com as perspectivas do modelo de Governação Clínica.

Por outro lado, os ganhos de eficiência serão muito significativos com redução estimada em 42% dos custos para o Sistema Nacional de Saúde, 55% dos custos para o doente e 92% dos custos com os transportes.

GRUPO DE TRABALHO GER – Oftalmologistas: José Henriques, Angelina Meireles, Carlos Marques Neves, Filomena Silva, Florindo Esperancinha, João Figueira, João Nascimento, Luís Gonçalves, Luís Rito, Neves Martins, Paulo Rosa, Rufino Silva, Rui Martinho, Susana Teixeira.

Visualize o documento na integra:

GER – Grupo Estudos de Retina da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia,

Colégio da Especialidade de Oftalmologia da Ordem dos Médicos e

SPILM – Sociedade Portuguesa Interdisciplinar Laser Médico

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*