LIPAC: Saúde Mental Comunitária – Uma Experiência

16 de Junho de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Manuel Silva Marques, Lipac – Liga de Profilaxia e Ajuda Comunitária, 25/05/2010

LIPACEm resposta ao vosso convite de 10 de Maio de 2010 para um envolvimento e participação no Plano Nacional de Saúde 2011/2016, a Lipac tem o maior prazer de dar conta do nosso labor encetado em 1978 com a criação de uma Delegação da Sociedade Anti-Alcoólica Portuguesa no Departamento de Saúde Mental e Serviços de Psiquiatria no Hospital S. João – Porto, bem como da criação de uma associação com sede na freguesia de Paranhos, em 1983 denominada Associação de Doentes Alcoólicos Recuperados, que em dois anos se estendeu a V.N. de Famalicão, Trofa, Maia, Paredes, Cacia ( Aveiro), Gondomar e Valongo.

Em 1986 criámos a Liga de Profilaxia do Alcoolismo e Toxicomanias – LIPAT no Porto, com extensões à Comunidade em 11 Freguesias de 7 concelhos do Grande Porto até que em 2004 extinguimos a sigla Lipat para Lipac – Liga de Profilaxia e Ajuda Comunitária, mudando a sua sede do Porto para V.N. de Famalicão onde já temos uma rede assistencial que dá cobertura a 9 freguesias no concelho denominadas por Nic’s – Núcleos de Intervenção Comunitária.

Em 2008 encetamos, todo um trabalho de Educação para a Saúde trabalhando com 7 turmas de 4 escolas deste concelho e, presentemente estamos em fase de conclusão de um projecto que denominamos por Educar a Crescer que V. Exas. apoiaram e que vai terminar no final de Junho.

Este trabalho tem sido acompanhado com a publicação de livros, um deles escrito em francês, e que denominamos por” Alcoolisme et Déficiense Sociale”. Um outro está em vias de publicação pela mesma Editora, em Paris, l’ Harmattam, em 2007. Presentemente temos registado já quatro patentes em França, uma com o Conceito de Deficiência Social, outra com um Método de trabalhar esta Deficiência a que chamámos por “ Método Psico-Comunitário”, para a normalização dos deficientes sociais, uma terceira patente com o Conceito de Interventor Comunitário em Saúde Mental Comunitária e, finalmente, em fase final de registo, o Conceito de Educação Centrada nas Competências.

Desta pequena resenha, passamos para as perguntas:

1 – A nosso ver pela experiência de 25 anos a trabalhar no Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental no Hospital S. João, no Porto, consideramos que se deve partir da parte para o todo, ou seja, da Comunidade, e, dentro desta, para os seus vectores posicionados no meio, sejam os vários organismos posicionados na área da Educação para a Saúde, tais como Escolas, Postos de Saúde, Centros Comunitários, Centros de Saúde, Hospitais Regionais e Centrais, com uma mobilização e muitos jovens em idade escolar distribuídos ao longo de 9 concelhos.

2 – Sinalizar uma rede de prestação de serviços e, paralelamente, criarem sinergismos, parcerias, bolsa de voluntariado local, contacto com Empresas, Associações, entre outras estruturas chave do Meio. A nosso ver e caso V. Exas. nos possam ajudar a viabilizar o nosso projecto de Implementação de Saúde e Bem-Estar na Comunidade Local, podemos melhorar uma valência tipo Nic que irá ser posta em funcionamento numa Junta de Freguesia deste concelho, já referenciada, e colocar nesse lugar, um Interventor Comunitário, ou seja, uma Pessoa Significativa do Meio, com provas dadas, no tempo que se ocupa e preocupa em criar esforços sustentados em todos os sectores Comunitários valendo-se de um aval que a Junta de Freguesia confere.

3 – Estamos preparados para implementar este projecto: temos Juntas de Freguesia (3) disponíveis, temos os Presidentes de Junta sensibilizados para acolher este técnico com provas dadas, temos experiência, temos organização, apenas nos falta dinheiro para, pelo menos numa dessas freguesias, criar um espaço de manobra para que se possa implementar um tal projecto que chegue à Saúde, ao Centro de Emprego, à Segurança Social, às Associações e Empresas do Meio, entre outros contributos que queremos juntar: uma ou duas Empresas de Inserção, um ou dois Centros de Dia para Pais e Crianças até 3 anos para estimulação precoce, vários cursos de formação em prática simulada para podermos ir ao encontro dos problemas de deficiência social já testados em 2008/2009 cujo objectivo principal foi a sua “ normalização” que lhes permitiram uma formação profissional, um curso novas oportunidades e que caso existam condições financeiras iremos criar com estas pessoas uma Empresa na área da Jardinagem, Pichelaria e Electricidade. Os grupos terapêuticos de auto-ajuda, ajuda mútua e entreajuda funcionam regularmente na comunidade através de duas sessões semanais com larga participação.

4 – O nosso trabalho é avaliado regularmente através do parecer dos nossos utentes para trabalhamos, sejam: alcoólicos, toxicodependentes, doentes mentais, crianças de risco, educação nas escolas, quer convidando as estruturas chaves do meio, tais como segurança Social, Centro de Emprego, câmara Municipal e outros, com quem nos relacionamos regulamente tirando partido desse envolvimento. Anualmente convidamos ainda os deputados da Nação para darmos conta do nosso labor. (Ver XXIV Aniversário da Lipac – um relatório de avaliação dos eventos).

Ficaremos a aguardar a oportunidade de falarmos de centenas de páginas escritas sobre o nosso labor, dar conta da nossa experiência pessoal e institucional, e podermos avançar para outros projectos que enfoquem da qualidade dos serviços e da remodelação de políticas de saúde saudáveis e direitos e deveres de cidadania com que sempre nos empenhamos.

Calendário, 24 de Maio de 2010.

Manuel Silva Marques (LIPAC – Liga de Profilaxia e Ajuda Comunitária)

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