Opinião: Estratega, ainda que só por um dia

24 de Agosto de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Luís Portela, no âmbito do Boletim pensar saúde nº 2

OpiniaoHabituado às análises micro do mundo empresarial, vi-me confrontado, ainda que só por um dia, com as análises macro da Saúde em Portugal e com a definição das grandes linhas estratégicas para o Plano Nacional de Saúde 2011-2016. Ter sido, aqui, estratega foi diferente mas, francamente, interessante em qualquer dos dois painéis em que participei.

No painel “Promoção da Cidadania” foi bom ponderar a importância do acesso da população à informação, para tornar o cidadão uma parte mais activa na gestão da Saúde e da Doença. Impõe-se conquistar as pessoas para serem cada vez mais responsáveis, criando condições à racionalização dos comportamentos – alimentares, de actividade física, alcoólicos, tabágicos, etc. – e à adequada utilização dos serviços e dos produtos de Saúde.

Nesse sentido, parece aconselhável promover informação de Saúde em rede, desde a comunicação social às escolas e às universidades, passando pelas autarquias e pela administração pública. Para um futuro com saúde é imprescindível a prevenção da doença e a manutenção da saúde, o que será um enorme contributo para a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde. Mas também parece importante que os cidadãos em geral percebam como o sistema funciona – e funciona bem em muitos parâmetros, quando comparado a nível internacional.

No painel “Qualidade em Saúde” foi bom reafirmar uma estratégia nacional para a qualidade em Saúde, onde parece apropriado seleccionar prioritariamente duas ou três acções por ano, para haver eficácia na correcção de situações identificadas, nomeadamente as conhecidas listas de espera em cirurgia. Mas também parece da maior importância que as estruturas de Saúde e as da sua avaliação sejam leves e funcionais, eivadas o mais possível do espírito “simplex”.

Sabendo-se que os próximos anos serão de recursos escassos, torna-se clara a necessidade de racionalização da utilização dos recursos e uma gestão rigorosa ou até mesmo espartana, onde a qualidade deverá ser um permanente estado de espírito. Para isso, importará desenvolver uma cultura de avaliação – individual, departamental e institucional – que permita incentivar e premiar o mérito.

Finalmente, sendo de louvar a criação e o desenvolvimento de um Serviço Nacional de Saúde que tem sido avaliado entre os doze melhores do mundo, será absolutamente necessário ponderar e preparar adequadamente como o manter sustentavelmente com crescente qualidade. Para além da importância do controlo racional da despesa, emerge a necessidade de se perspectivar como quer no curto, quer, sobretudo, no longo prazo, a Saúde poderá proporcionar crescente receita ao país.

Existem, de facto, na área da Saúde boas possibilidades de desenvolver a exportação – já assinalável – de produtos e serviços competitivos à escala global e um enorme potencial de inovação em Saúde de raiz portuguesa. Portugal possui algumas histórias de sucesso empresarial em Saúde, mas, sobretudo, um conjunto de institutos de investigação de grande nível que, se focados em transmitir algum do seu conhecimento para as empresas, poderão dar uma apreciável dimensão económico-financeira ao sector no contexto internacional. Para um futuro com mais Saúde.

Luís Portela (Health Cluster Portugal – estratega convidado – 3.º Fórum Nacional de Saúde)

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