Medicamentos e Pluralismo Terapêutico

11 de Novembro de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

medicamentosFoi publicado recentemente  a obra “Medicamentos e Pluralismo Terapêutico: práticas e lógicas sociais em mudança”, da Biblioteca das Ciências Sociais e Edições Afrontamento, resultado de uma investigação sociológica cujo seu desenvolvimento passou por um processo analítico e de caracterização das práticas de pluralismo terapêutico.

A temática deste livro organiza-se em torno dos consumos medicamentosos e do seu contexto social e cultural, em que nos consumos considerados são privilegiadas três categorias em particular: os fármacos (ou medicamentos químicos), os medicamentos naturais e os alimentos terapêuticos (ou alimentos funcionais, ou nutracêuticos). A par da análise sobre cada uma destas categorias, os autores elegeram as práticas de pluralismo terapêutico, aqui entendidas como o uso conjugado ou alternado de recursos medicamentosos de natureza diversa. Neste quadro analítico, foi sustentado que os consumos de pluralismo terapêutico tendem a constituir um padrão característico das culturas terapêuticas das sociedades contemporâneas, sem que tal exclua uma simultânea expansão de formas várias de farmacologização do quotidiano.

Como resultados obtiveram um mapeamento da expressão de diferentes tipos de recursos terapêuticos – farmacológicos e naturais – nas trajectórias individuais, a partir do qual as regularidades e configurações sociais foram caracterizadas, dando sentido aos consumos de pluralismo terapêutico.

Esta ampliação do enfoque deixou  disponível uma vasta informação no âmbito das lógicas e racionalidades em que se inscrevem os modos de relação com os diferentes tipos de recursos medicamentosos implícitos na investigação. Foi traçado um quadro sociográfico e analítico sobre as disposições sociais de adesão, de recusa ou de alheamento, quanto ao uso de cada uma das categorias medicamentosas em análise. Tal procedimento permitiu dar conta da contextualidade e contingencialidade que organiza os consumos e as trajectórias terapêuticas dos indivíduos.

O suporte empírico da pesquisa teve por base uma amostra nacional representativa (n = 1509) e uma amostra de conveniência (n = 400), esta última constituída a partir de inquiridos contactados em Centros de Saúde e em Lojas de Dietética, respectivamente em Lisboa e na Guarda. A inclusão de ambas as amostras no estudo decorreu de opções metodológicas de triangulação – método que presidiu também aos processos de recolha e tratamento da informação. No seu conjunto, estas amostras sustentaram a análise extensiva, com recurso à aplicação (presencial) de um inquérito por questionário. Em fase posterior, e sequencial à análise dos dados extensivos, foi realizado um total de 75 entrevistas semi-directivas, a indivíduos anteriormente inquiridos e seleccionados da amostra de conveniência a partir de critérios de amostragem por quotas.

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