Observação sobre o Consumo de Genéricos

30 de Abril de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

InsaO Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) realizou um estudo com o objectivo de avaliar a dificuldades de acesso a medicamentos devido a restrições económicas das famílias e a utilização dos medicamentos genéricos pela população portuguesa do Continente.

O estudo, descritivo transversal, constou de um inquérito realizado por entrevista telefónica, no quarto trimestre de 2008, a um dos elementos de 18 e mais anos, residente nas unidades de alojamento (UA) que integram a amostra de famílias ECOS. Esta amostra é aleatória e constituída por 1026 UA, com telefone fixo, estratificada por Região de Saúde do Continente, com alocação homogénea.

As variáveis colhidas contemplaram a caracterização dos inquiridos, nomeadamente, no que diz respeito: à capacidade de aquisição de medicamentos prescritos no ano 2008, ao conhecimento, atitudes e utilização de genéricos.

Obtiveram 752 questionários válidos.

Os resultados permitem concluir relativamente aos respondentes (maior e igual a 18 anos) que:

  • A percentagem de respondentes com dificuldade de acesso a medicamentos prescritos por razões económicas, em 2008, é de 8,4%;
  • A percentagem de respondentes questionados, alguma vez, pelo médico sobre a capacidade económica para comprar determinado medicamento, é de 7,5%;
  • A percentagem de respondentes que referiu saber o que é um medicamento genérico, é de 95,0%;
  • A percentagem de respondentes que referiu saber onde procurar informação sobre genéricos é de 80,0%, dos quais 50,7% referiram utilizar a farmácia como principal fonte de informação;
  • A percentagem de respondentes (maior ou igual a 18 anos) que referiu saber o que é Sistema de Preços de Referência, é de 18,7%;
  • A percentagem de respondentes que, por iniciativa própria, procuraram junto do médico saber se haveria um genérico que substituísse o medicamento de marca prescrito é de 29,3%;
  • A percentagem de respondentes que, por iniciativa própria, procuraram junto do farmacêutico saber se haveria um genérico que substituísse o medicamento de marca prescrito é de 32,2%;
  • A percentagem de respondentes que não mudaria, por sua vontade, o medicamento de marca por um genérico, independentemente do nível de poupança que teriam com a substituição é de 12,1%;
  • A percentagem de respondentes que mudaria, por sua vontade, o medicamento de marca por um genérico, bastando para isso obter qualquer nível de poupança até 10€, é de 67,8%;
  • A percentagem de respondentes que mudaria, por sua vontade, o medicamento de marca por um genérico, só a partir de um nível de poupança de 10€ ou mais é de 20,1%;
  • A percentagem de respondentes que referiu já ter sido medicada com genérico é de 78,0%;
  • A percentagem de respondentes que referiu ter-lhe sida sugerida, por iniciativa do médico, a substituição de medicamento de marca por genérico é de 15,1%;
  • A percentagem de respondentes (maior ou igual a 18 anos) que referiu ter-lhe sido sugerida, por iniciativa do farmacêutico, a substituição de medicamento de marca por genérico é de 20,4%, destes, 79,7% seguiu a sugestão.

Os autores referem ainda que é de realçar que os resultados apresentados não devam ser aferidos acriticamente para a população do Continente. Os mesmo têm como pretensão que as conclusões do estudo possam ser úteis no âmbito da organização da prestação de Cuidados de Saúde.

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