Opinião: Formação como Imperativo de Cidadania para uma Intervenção Esclarecida em Saúde

29 de Novembro de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Manuel Correia, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, no âmbito do Boletim pensar saúde nº 3

esteslOs princípios e valores em que se fundamenta o Sistema de Saúde – a universalidade, o acesso, a equidade, a qualidade e a solidariedade – exigem sólidas estratégias e concentração de esforços por parte de todos os sectores da sociedade no global, e do indivíduo enquanto agente activo no processo saúde/doença.

As Escolas Superiores de Saúde, parceiros intervenientes na obtenção de ganhos em saúde, têm como missão capacitar o indivíduo e a comunidade, através da Educação/Formação, conferindo-lhes Competências e Conhecimentos, que lhes permitam participar activamente na promoção da saúde e na prevenção das doenças.

Nessa acção que se pretende da mais elevada qualidade, torna-se indispensável reforçar o envolvimento de todas as instituições de ensino superior de saúde, enquanto pólos de intervenção comunitária e agentes activos na educação, na literacia e na comunicação em saúde.

É sua a responsabilidade de preparar profissionais devidamente qualificados, através de programas e projectos capazes de responder às exigências dos Cuidados de Saúde, quer no que respeita à formação inicial, quer na formação ao longo da vida onde deve ser desenvolvido e aperfeiçoado o espírito de trabalho em equipas multidisciplinares, face ao acelerado progresso científico e tecnológico que ocorre nesta área que é indispensável acompanhar.

Por outro lado, no mundo actual, o espaço Escola, só faz sentido quando em interacção com o contexto sociocultural. Nessa perspectiva a intervenção comunitária poderá consubstanciar-se no incremento de parcerias com as instituições do poder local, organizações da sociedade civil, organizações da sociedade científica e associações de doentes/utentes, com a finalidade de potenciar a equidade e a acessibilidade aos cuidados de saúde. As instituições de ensino superior de saúde devem constituir-se como centros de avaliação, rastreio, e referenciação integrando, enquanto parceiros activos, a rede de prestadores de cuidados de saúde primários ou diferenciados, aproveitando as sinergias dos seus recursos científicos, técnicos, pedagógicos e laboratórios de valência clínica.

A investigação científica produzida nestas instituições nas suas áreas de competência, pode representar relevantes ganhos em saúde.

Capitalizar os outputs do ensino e da investigação nas áreas da saúde, em particular na área do diagnóstico e da intervenção terapêutica, seja em eixos estratégicos da saúde visual, nutricional, ambiental e ocupacional, ou na redução da incidência e prevalência das doenças crónicas, como as doenças oncológicas, cardiovasculares, respiratórias, obesidade, diabetes ou mesmo no uso racional do medicamento, é conseguir mais eficácia e eficiência nos desempenhos de boas práticas em Saúde e na melhoria continua da qualidade dos serviços prestados.

O Plano Nacional de Saúde 2011-2016 abrange um limite temporal que nos obriga, no momento em que é proposto, a perspectivar as transformações que necessariamente vão ocorrer ao longo desse tempo. A incerteza é grande para que o ensino possa antecipar o futuro, mas as Instituições que têm a seu cargo a formação na área da saúde devem estar preparadas para conviver com essa incerteza e com sentido de responsabilidade e de serviço público possam responder às solicitações e exigências do Serviço de Saúde. Essa é a sua missão e dever de cidadania.

Manuel Correia (Presidente do Conselho Directivo da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa)

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