Utilidade e Relação Custo/Serviços Prestados nos SMFR

17 de Janeiro de 2011 / Bookmark and Share

Contributo enviado pelo cidadão João Santos, 12/01/2010

OpiniaoComo meu contributo para o Plano Nacional de Saúde deixo as seguintes questões/pontos de vista:

Ponto 1 – Qual é, actualmente, a grande utilidade do Serviços de Medicina Física e Reabilitação (SMFR) actualmente?

– Em primeiro lugar, convém distinguir a Medicina Física e Reabilitação (completamente dependente da prescrição do Médico Fisiatra e cujo domínio do Fisioterapeuta não possui qualquer autonomia para evitar erros do Médico, bem como as consequências clínicas resultantes da completa desinformação e desactualização da maioria Medicina Física e Reabilitação realizada actualmente relativamente às melhores práticas realizadas a nível mundial ao nível da Fisioterapia e a conceitos de Medicinas Alternativas que tanto e tão bem têm feito à Saúde dos nossos utentes que (felizmente) têm possibilidades de recorrer às práticas fora do SNS.

– De seguida, devemos referir que na opinião da maioria dos Fisioterapeutas, o problema não reside apenas na falta de informação dos Médicos Fisiatras relativamente às Boas Práticas de Fisioterapia, mas tambem:

  • na total dependência LEGAL do Fisioterapeuta;
  • no constante desinvestimento do Estado no pagamento dos serviços de Fisioterapia;
  • na consequente adaptação dos serviços de (suposta) Fisioterapia e Medicina Física e Reabilitação (diminuem tempos de tratamentos com Fisioterapeuta a 6/7 minutos por sessão(!!!), empregam pessoal não qualificado para realizar tratamentos Fisioterapia)
  • o Estado não fiscaliza, tornando este processo num ciclo vicioso, onde só perdem os Profissionais – porque não estão satisfeitos e realizados com um trabalho que não resulta nem tem condições para resultar, o utente – porque vê a sua Saúde em mãos que não são devidamente qualificadas, porque vê o seu estado de Saúde a perpetuar-se com poucas ou nenhumas melhoras, o BOM NOME da FISIOTERAPIA – sim, porque depois quem costuma levar com as culpas e com a fama de não resultar não é a Medicina e Reabilitação, é a Fisioterapia(!), e principalmente o ESTADO(!!) – porque vê o dinheiro (insuficiente, mesmo assim) que gasta em baixas médicas e em tratamentos de Fisioterapia serem perpétuados e com poucos ou nenhuns resultados.

Ponto 2 – O que poderia ser feito para inverter esta situação?

1ª medida – Regulamentar bem as boas práticas e tornar autónomos os Fisioterapeutas em Portugal, seguindo as melhores práticas a nível mundial;

2ª medida – liberar as convenções com o SNS a todos os serviços de Fisioterapia (Gabinetes privados, Hospitais, Serviços de Medicina e Reabilitação), por forma a permitir que quem quer trabalhar ainda melhor que os que estão já instalados no SNS o possam fazer, permitindo a liberdade de escolha do Utente (porque o utente, tendo a liberdade de escolha, de certeza que prefere tratar-se onde é melhor atendido e onde estiver melhor mais rápido – logo o ESTADO poupa!!);

3ª medida – FISCALIZAR e AVALIAR resultados! Porque sem Fiscalização e Avaliação da produtividade e dos resultados de cada serviço, estamos a pôr os fundos públicos em mãos de pessoas que não sabemos como trabalham ou se trabalham.

4ª medida – Aumentar os preços! Havendo uma boa fiscalização e avaliação contínua dos resultados dos serviços, é justo premiar quem trabalha bem e punir os que trabalham mal ou não trabalham. Assim, os que não cumprirem as normas em vigor ou não apresentarem resultados conforme os estabelecidos, devem ser banidos ou suspensos das convenções com o SNS, enquanto os que continuam a apresentar bons resultados e a cumprir todas as normas de Boas Práticas, devem ser recompensados com a permanência em vigor da sua convenção, com preços justos e realistas relativamente aos custos que implicam as Boas práticas (nomeadamente materiais, luz, água e, principalmente, o ordenado digno de um Fisioterapeuta a tempo inteiro em regime de contrato).

Ponto 3 – Compreendo que tais medidas iriam perturbar muitos interesses instalados no Sistema, no entanto considero que a não aplicação destas medidas ou a aplicação parcial das mesmas resultará apenas na continuação do desperdício de recursos no SNS e no desaproveitamento de Recursos Humanos úteis e válidos como são as novas gerações de Fisioterapeutas que estão permanentemente a realizar formação e a emigrar por ser a única alternativa viável e digna.

Sempre disponível para o melhor da Saúde em Portugal.

João Santos