Opinião: Educação e Saúde um Compromisso de Cidadania

2 de Março de 2011 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Mara Rocha, Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, no âmbito do Boletim pensar saúde nº 3

ESS-IPVCA complexidade no desenvolvimento em saúde levou a OMS a considerar a cooperação intersectorial, a equidade, a participação comunitária e centralidade dos cuidados no cidadão como ideias-chave para a obtenção de mais ganhos em saúde.

Responder aos desafios de um mundo em mudança e às necessidades e expectativas das pessoas exige orientação efectiva dos serviços de saúde para as pessoas e, consequentemente, o recentrar da intervenção dos profissionais de saúde nas necessidades e possibilidades do beneficiário de cuidados. Cuidados que colocam as pessoas em primeiro lugar implicam uma abordagem concertada, interdisciplinar e multiprofissional.

Nesta visão integrada de desenvolvimento, o sistema educativo na área da saúde não constitui um fim em si mesmo, existe porque existem comunidades com necessidades e expectativas próprias.

O ensino em saúde coloca-se, assim, como um sistema de apoio numa perspectiva integrada de formação do potencial humano, devendo orientar-se por uma lógica social aberta aos modos de vida e necessidades das populações, às transformações das relações entre os serviços, adoptando estratégias diversificadas e participadas, que o transforma num sistema particularmente interactivo.

Hoje, as expectativas em relação às autoridades e profissionais de saúde são mais elevadas, as pessoas querem cuidados de saúde eficazes e que sejam prestados por profissionais com integridade para agir nos seus melhores interesses, equitativa e honestamente, com conhecimento e competência.

É necessário investir no empoderamento dos profissionais de saúde no sentido de se adaptarem e tornarem membros efectivos de uma equipa, combinando as várias perspectivas, a sensibilidade à equidade e orientação para as pessoas, praticando a advocacia. Esta advocacia exige maior conhecimento e reflexão sobre a prática, de modo a permitir uma maior defesa da dignidade da pessoa e dos cuidados.

Assim, considerando que:

  • as respostas em saúde implicam dinâmicas interdisciplinares e multiprofissionais;
  • os enfermeiros têm uma intervenção assente na proximidade e continuidade, conferindo-lhes um papel de parceiros e mediadores, ao lidarem com questões complexas no apoio à pessoa, família e grupos, em torno do seu projecto de saúde;
  • o ensino superior, na área da saúde, tem de preparar, desde a formação pré-graduada, para a participação na definição das políticas globais e sectoriais, para a organização da intervenção em saúde e para a prestação dos cuidados de saúde;
  • as Escolas Superiores de Enfermagem/Saúde são orientadas para a criação, transmissão e difusão da cultura e do saber de natureza profissional, através do ensino, investigação e prestação de serviços à comunidade;

torna-se necessário o trabalho em rede, o estabelecimento efectivo de parcerias nas quais profissionais de saúde, organizações de saúde, formativas e outras se complementem com vista ao melhor desempenho.

Neste contexto, relativamente ao papel e expectativas das Escolas, destacamos 4 dimensões:

  1. Política – a participação desde a fase inicial no processo de elaboração do PNS, como tem vindo a ser efectuado, mas também a participação nos projectos/programas, desenvolvimento das respectivas acções e avaliação, com a criação de comissões loco-regionais de adequação/monitorização dos objectivos do PNS;
  2. Formação – a qualificação dos profissionais ao longo da vida no sentido da melhor resposta às necessidades em saúde e em cuidados de enfermagem contribuindo para a mudança/inovação nos serviços de saúde. Por outro lado, o projecto de formação, tendo em conta os eixos e as áreas prioritárias definidas no PNS, constitui-se um elemento facilitador do processo de mudança e motivador no sentido dos profissionais se colocarem ao serviço da comunidade.
  3. Investigação – desenvolvimento da investigação-acção, de acordo com as áreas prioritárias identificadas e as necessidades em cuidados de saúde e de enfermagem, podendo vir a ser constituída uma rede de peritos;
  4. Intervenção na comunidade – prestação de serviços e desenvolvimento de projectos integrados, criando sinergias que visem a obtenção de ganhos em saúde.

Para o sucesso do PNS é determinante o envolvimento e empenho dos vários sectores da sociedade. Nesse sentido, propomo-nos trabalhar em conjunto e ser parte activa neste processo.

Mara Rocha (Directora da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)

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