Hospitais Militares não deveriam passar a Civis?

18 de Maio de 2011 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Augusto Küttner de Magalhães, 15/05/2011

OpiniaoNão imaginando quantos Hospitais Militares possam ainda – hoje – haver no nosso Pais, mas estamos certos da existência de um aqui no Porto, dado que passando pela Avenida da Boavista, o podemos ver – de fora – a funcionar, como tal, e à noite, suficientemente iluminado, a dizer o que é. Por outro lado quando “andei na tropa obrigatória” fui por necessidade ao Hospital Militar da Estrela em Lisboa, que presumo ainda existir, como tal.

Se recuarmos uns anos, antes do início desta  democracia – que não está a funcionar como se  desejava que funcionasse – havia um Guerra Colonial que maltratava e muito, muitos militares – a grande maioria obrigados a lá terem que estar –  que tinham que recorrer pela sua saúde a estes hospitais militares, e porventura a mais alguns que não conheço, para além de em  última análise terem que ir a Alemanha para serem tratados, quando tal não era cá possivel.

Passados todos estes anos, e acabada a guerra nas colónias  –  que nunca deveria ter começado, se tivesse havido uma maneira lógica mais aberta e  diferente de lidar com aqueles sítios –  hoje ainda vemos Hospitais Militares.

E numa altura que acabam com os Hospitais Psiquiátricos, com a alegação – porventura razoável –  de que os doentes com estas doenças devem estar integrados nos hospitais ditos “dos normais” onde existem todas as outras valências – o mesmo com algumas Maternidades – numa altura em que não há guerras, que não, uns pequenos contingentes que vão em Missões da Nato, e que felizmente pouco ou nada de danos  físicos têm infligido aos nossos compatriotas,  qual o motivo, ainda para mais quando em tudo se uniformiza, para ser tudo mais “igual” para se fazerem “poupanças de escala”, sinergias, e a todos ser tudo acessível, qual a razão para ainda existirem Hospitais Militares?  E não passarem a ser integrados na rede publica de Hospitais, e todos, Civis e Militares, usarmos os mesmos hospitais, sem diferenciações?

Ainda para mais numa altura em que se assinalam cada vez mais traumas psicológicos, de Pessoas que foram obrigadas a ter que ir à Guerra nas Colónias e que com o envelhecimento estão a mais sentir os efeitos do que “ganharam” quando por lá andaram, e que talvez devessem melhor ser seguidos em hospitais públicos – com todas as valências, até a Psiquiatria – de todos e para todos.

Com a imperiosa necessidade de “ter muito, com muito menos”, de acabar com subsistemas de saúde e de ajuda na doença,  hoje – século XXI –  não seria de ter tudo junto? Não seria de deixar de haver hospitais para uns, que foram criados, noutras épocas e com outras necessidades – boas ou muito más – e ser  tudo mais igual, poupando e melhor tudo aproveitando? ou haverá, algum motivo, que nós cidadãos comuns não entendamos, para ainda – hoje – ter que haver esta diferença?

Augusto Küttner de Magalhães

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*