Opinião: O futuro da Saúde em Portugal

16 de Setembro de 2010 / Bookmark and Share

Contributo enviado por Maria Manuela Ricardo Cruz, 02/09/2010

OpiniaoO futuro da saúde em Portugal deverá incidir sobre:

1º Educação alimentar correcta a nível familiar e escolar básico e secundário, com disciplinas obrigatórias sobre o assunto; investir na alimentação tradicional portuguesa e tirar o melhor partido da mesma; promover a nossa auto-estima a nível de cultura e hábitos alimentares tradicionais; não embarcar em mitos e imitações de hábitos alimentares dos chamados “países ricos” que a nível de cultura alimentar são mesmo muito pobres. Ensinar a não cair na esparrela da “última moda” alimentar;

2º Educação para a Saúde a nível da Sociedade a todos os níveis;

3º Revisão dos currículos a nível dos Cursos ligados à Saúde, principalmente Medicina, já que é o curso de topo, e apresenta muitas deficiências a começar pelos critérios de admissão aos mesmos;

4º Utilização criteriosa dos recursos postos à disposição dos profissionais e da população porque no estado actual existe muito esbanjamento que só serve para aumentar escandalosamente as despesas com a saúde, devido a deficiente formação básica e evolutiva dos profissionais e a má gestão e desorganização dos serviços e politicas de saúde;

Auditorias técnicas para correcção dos excessos de prescrição de MADs e Medicamentos. Controle de qualidade dos Clínicos ( trabalho num hospital,e da minha análise sobre o assunto vejo que se come muito gato por lebre, mas ninguém tem a coragem de dizer que o rei vai nu);

5º Previsão e planificação adequada das necessidades futuras a nível de Recursos Materiais e Humanos;

6º Responsabilização de cada um na preservação e manutenção da sua saúde: educação das pessoas para tal. A situação actual além da desresponsabilização colectiva favorece a propagação da mediocridade geral através de cada vez mais exigências sociais aos poderes públicos;

7º A Saúde deverá voltar a ser Cientifica e não escandalosamente Comercial como é actualmente, através da manipulação de dados, dos media, da instituição do pânico na Sociedade em geral, com o consequente enriquecimento “ilícito” de agentes económicos ligados ao sector da Saúde;

8º Revisão e eliminação de “hábitos” e práticas sociais que apresentem riscos para a saúde, não só de quem os pratica , como para os colaterais envolvidos , como por exemplo discotecas e bares nocturnos a funcionar após a meia-noite com ruído excessivo quer sejam localizados isoladamente, quer sejam em zonas residenciais, festas de aldeia de 1 semana seguida com ruído excessivo até às 4 ou 5 h da madrugada. A chamada “indústria” de diversão nocturna “fabrica” surdos, alucinados, bêbados, estropiados e contribui para arranjar “trabalho” a policias , bombeiros, INEM, VMER, médicos, fisioterapeutas, funerárias, seguradoras, tribunais, etc. (Devemos ter coragem para denunciar isto) ;

9º Mudança de filosofia na aceitação dos revezes e da morte, debate social sobre o absurdo e a desumanidade de se prolongar artificialmente a vida e investir enormes cifras em estudos e MADs em doentes inviáveis que só pedem às vezes os deixem em paz e que a morte os leve sem mais sofrimento;

10º Debate social enorme sobre a Saúde, o tal estado completo de bem estar…

11º. Para que qualquer plano de saúde possa ter o mínimo de eficácia deverá haver uma separação clara entre serviços públicos e privados, já que actualmente existe claramente promiscuidade entre os dois sistemas, servindo o SNS ( cuidados primários e hospitais) como trampolim para angariar ou servir clientes de actividades privadas, em várias especialidades;

12º. Deverá haver também uma mudança de filosofia na abordagem terapêutica, porque actualmente parte-se do principio de que se há uma doença, remedeia-se, combate-se com um medicamento, se não há, investiga-se, inventa-se patenteia-se, comercializa-se; este modo de agir deverá mudar para o principio de que se há uma doença ou um risco, haverá uma maneira de o prevenir, a investigação da sua prevenção que não tem sido feita contribuindo para o aumento escandaloso das despesas com a saúde, porque mais vale prevenir do que remediar ou seja a prevenção compensa;

13º. Não deverá haver medicamentos gratuitos para ninguém, todos devem pagar uma proporção por mínima que seja, porque há também muito desperdício só porque é à borla, se todos tiverem que despender um mínimo que seja, logo utilizariam os medicamentos mais equilibradamente, sem açambarcamentos e esbanjamentos.

M Manuela Ricardo Cruz  (Técnica Superior de Saúde – Ramo Laboratório – Lic. Farmácia)