Opinião: Capacitação e responsabilização – “a saúde depende de si”

30 de Abril de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Torcato Santos, 29/04/2010

opiniaoPara as 4 questões:

1) Em que áreas e de que forma se poderão obter ganhos em saúde adicionais, de forma sustentável, para os portugueses?

Podemos obter muitos ganhos em saúde pela capacitação de largas camadas da população nas atitudes e comportamentos saudáveis. Tudo poderia ser simples, não fosse vivermos numa sociedade orientada para o lucro e não para valores, em que se reconhece o livre arbítrio de cada um, mesmo para estragar a sua saúde. Fica muito difícil lutar contra a comunicação social, que faz dinheiro com marketing contrário aos bons hábitos, para sobreviver. Assim associado às naturais resistência à mudança torna muito lentas as mudanças efectivas e à custa de muito esforço e grandes investimentos.

2) Que expectativas possui relativamente ao PNS 2011-2016? Como é que este pode ser útil na obtenção de mais valor em saúde?

Estratégias claras de informação e educação para a saúde associadas a políticas de financiamento para apoiar estas estratégias e mudanças socialmente impostas em toda a sociedade sempre que a evidência seja clara. Impostos directos, ainda que suaves, sobre os “maus” comportamentos para sensibilizar e ajudar ajudar a estas políticas.

3) Como é que o PNS 2011-2016 pode apoiar as instituições e os cidadãos na obtenção de ganhos em saúde, de forma sustentável?

Uma ULS  (Unidade Local de Saúde), como a de Matosinhos, como os Sistema Locais de Saúde, Administrações Regionais de Saúde (ARS) ou o todo nacional, têm de perseguir as medidas preventivas, seu financiamento associado à informação e educação para a saúde de base geracional, como investimento a longo prazo, mas seguro apoiada a politicas locais, como os planos municipais de saúde influenciados com estas estratégias. A capacitação dos utentes e doentes poderá reduzir cada vez mais o papel do hospital tradicional e os recursos em internamento. A prevenção primordial e a primária deverá orientar-se para doenças de maior mortalidade actual como doenças cardiovasculares e oncológicas e para as de morbilidade crescente no presente milénio como saúde mental.

4) Como é que esses resultados na obtenção de ganhos em saúde podem ser percebidos, medidos e valorizados?

A mortalidade específica pode ser um bom indicador e melhor ainda se associada à morbilidade associada aos GDHs (Grupos de Diagnóstico Homogéneo) e patologias identificadas como marcadores de monitorização da evolução dos ganhos em saúde. Para a saúde mental os consumos em medicamentos específicos podem ser uma boa medida nesta fase e muita investigação há-de dar ainda meios para medir os índices de saúde mental e de satisfação de vida, assim estejam resolvidos os problemas básicos e necessidades sociais.

Termino deixando claro que os custos em saúde estão com aceleração imparável e por este modo os investimentos, em tecnologias também, dando sempre uma falsa segurança ao público em geral de que a tecnologia médica pode curar todas as doenças e impedir a morte. Ora é possível viver mais e melhor em harmonia com as leis da ecologia, da biologia, da fisiologia e da psico-sociologia e espiritualidade humanas e sermos muito mais saudáveis e aceitarmos a morte com naturalidade. É sairmos da complicação – saúde como negócio-para a simplificação, é procurarmos novos paradigmas, aliás há muito conhecidos.

“A saúde depende de si”.

Torcato Santos

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*