Opinião: A importância da actuação das CCIH

3 de Agosto de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Márcio Pires, Centro Hospitalar Barreiro Montijo – Unidade do Montijo, 15/07/2010

OpiniaoTendo em conta o valor fundamental de acesso a cuidados de qualidade, o valor orientador de excelência técnico-científica e o objectivo de ” (…) contribua com orientações estratégicas claras, dirigidas à maximização de obtenção de ganhos em saúde, de forma sustentável, contínua, monitorizável e avaliável (…)” do PNS 2011 – 2016, penso que o contributo das CCIH (Comissão de Controlo de Infecção Hospitalar) nos Hospitais é imprescindível na processução destes valores e objectivo.

Isto porque, de acordo com o Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infecção Associada aos Cuidados de Saúde, de Março de 2007, as IACS constituem, actualmente, uma das maiores preocupações dos gestores dos sistemas de saúde, uma vez que a sua prevalência oscila entre os 5 e os 10% na maioria dos países da Europa.

De acordo com a OMS, um em cada quatro doentes internados numa UCI tem um risco acrescido de adquirir uma IACS, sabendo-se ainda, que esta estimativa pode duplicar nos países menos desenvolvidos.

Como indicador bem revelador desta preocupação, realça-se o último inquérito de prevalência conduzido pela OMS, em 55 hospitais de 14 países, revelando que 8,7% dos doentes internados têm possibilidade de adquirir uma IACS. Para além do aumento substancial da morbilidade dos doentes internados em contexto hospitalar, a IACS constitui-se como uma das maiores causas de morte em todo o mundo.

Como refere Martins et al (2008): “a infecção hospitalar continua a ser um problema actual, já no séc. XVIII constituiu preocupação, conforme podemos constatar pelo trecho transcrito de Wenzel (1987: 85) “o que poderá haver de mais contraditório em si do que uma afecção hospitalar, doença contraída no local onde se veio procurar a cura de outra perturbação”.

Assim, as CCIH são naturalmente, uma peça fundamental num processo de melhoria contínua de qualidade, pelo papel que desempenham na resolução de problemas direccionados à aquisição de infecção, através de intervenções específicas e sua monitorização, que promovem a tomada de consciência da interdependência de todos os profissionais, para a redução das más práticas, tal como refere o estudo de Haley et al (1985), citado por Martins et al (2008): “a intervenção atempada junto dos profissionais de saúde durante o internamento do doente, com estratégias preventivas e monitorização das infecções, pode reduzir até 30% as infecções hospitalares”.

Concluo que não existem dúvidas acerca da importância da actuação desta comissão, sugerindo que fosse dada mais importaância e relevância ao seu poder de decisão neste novo PNS 2011 – 2016.

Documentos de apoio:

Márcio Pires (Centro Hospitalar Barreiro Montijo – Unidade do Montijo)

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