Opinião: Prescrição Medicamentosa Racional

9 de Junho de 2010 / 2 Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Maria  Helena Profírio, Hospital  Distrital de Pombal, 25/05/2010

opiniaoSão conhecidos os efeitos da polipragmasia, a nível da (1) incomodidade para o doente, é demasiado vulgar os doentes idosos tomarem 10 a 15 medicamentos diferentes/dia, (2) das interacções medicamentosas com aumento da morbilidade, da mortalidade daí resultante, e (3) dos custos quer com os próprios medicamentos quer com o prolongamento de internamento e reinternamento por iatrogenia medicamentosa. Parâmetros estes bem quantificados noutros países.

O novo Plano Nacional de Saúde deve incorporar uma linha (uma área de intervenção) Relativa à PRESCRIÇÃO RACIONAL.

Cujos objectivos são:

1- melhorar a adequação da prescrição ao diagnóstico;

2- melhorar a adequação ao doente, àquele doente;

3- melhorar a comunicação terapêutica com o doente;

4- e sobretudo baixar os custos com os medicamentos.

Helena Porfirio (Pediatra, ex assistente de Farmacologia)

2 comentários sobre “Opinião: Prescrição Medicamentosa Racional

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  1. Concordo com a Colega Dra Helena Porfírio quando inclui, nas estratégias de contenção de custos associados aos cuidados médicos de saúde, a comunicação efectiva médico-doente.
    A efectividade do tratamento (desfecho clínico favorável como “outcome”) depende não só da eficácia do medicamento prescrito mas também da adesão ao regime terapêutico instituído. Ora, a qualidade da interacção médico-doente vai determinar a adesão à terapêutica que, por sua vez, condiciona o desfecho da intervenção clínica (qualidade dos cuidados).
    Por outro lado, mais do que o desfecho (desfavorável) de uma intervenção clínica, a probabilidade de litigância doente-médico é determinada pela (in)satisfação do doente em relação ao clínico – esta última ditada, fundamentalmente, pelo tempo despendido pelo clínico/duração da consulta.

  2. Isso é um problema sério, poderia ser resolvido com medicação básica essencial comparticipada a 100% (genéricos), seria uma forma de forçar uma prescrição mais racional que resultaria em melhor adesão ao tratamento, um custo menor tanto ao doente como ao estado. Poderíamos, por exemplo, ter como anti-agregante plaquetário de eleição o ácido acetil salícilico, o início de qualquer tratamento de hipertensão essencial com hidroclorotiazida a 12,5 mg, etc, etc. Ou seja, quem paga, isto é, o governo (através dos contribuintes) saber aplicar políticas eficientes.

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