Opinião: Programa de Actividades Lúdicas nas Unidades de Internamento

26 de Julho de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Áurea Andrade, Hospital do Arcebispo João Crisóstomo-Cantanhede, 14/06/2010

OpiniaoNo decurso das nossas actividades profissionais e dos cuidados que são prestados aos nossos utentes, essencialmente idosos, somos levados a reflectir acerca de algumas questões prementes no quotidiano das nossas unidades de internamento da RNCCI.

Uma destas questões, assunto frequentemente debatido na equipa, é a falta de ocupação que afecta alguns doentes, que por não incluírem nenhum programa de fisioterapia, uma vez que o seu internamento se relaciona com o controle de quadros crónicos descompensados, como por exemplo Diabéticos e Hipertensos, ficam a maior parte do dia sem qualquer actividade lúdica, física ou não, que os ocupe. Os próprios utentes manifestam com frequência, falta de ocupação e dificuldade “em passar o tempo”.

Pinto (2007) reforça esta ideia da falta de acções lúdicas nos hospitais e justifica-a numa visão biologizante e terapêutica dos hospitais centrados unicamente na doença e no seu tratamento descurando as outras vertentes do ser humano que são tão importantes quanto a biológica e que só promovendo o seu desenvolvimento é possível atingir um nível de saúde satisfatório e.

Atendendo a que a saúde possui diversos componentes, fundamentais para a manutenção de todo um processo que extrapola o físico, sendo também mental, psicológico, emocional e espiritual, é implícita a importância que as actividades lúdicas tem como determinantes da saúde e estes não podem ser privados das mesmas no momento em que são internados em hospitais por motivos físicos, por exemplo.

O contributo deste tipo de actividades para a saúde dos nossos utentes seria de grande valor na diminuição do stress (factor de risco de grande parte das doenças crónicas actuais); na promoção do sono e do repouso; num melhor controlo dos sintomas; na redução da medicação; aumento da auto-estima; maior interacção e troca de experiências com outros utentes e profissionais; no aumento da sua satisfação e maior motivação para lidar com a sua patologia.

Esta premissa vai ao encontro a um dos princípios do Plano Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas (PNSPI) que é a promoção de um envelhecimento activo, entendido como o conjunto de atitudes e acções que podemos ter no sentido de prevenir ou adiar as dificuldades associadas ao envelhecimento. A leitura regular, participação activa na discussão dos assuntos do quotidiano, realização de jogos que estimulam raciocínio, participação em tarefas de grupo, entre outros, promovem o bem-estar psíquico e intelectual (memória, raciocínio, boa disposição), fundamentais no envelhecimento activo e saudável.

Seria pois uma mais valia, com grandes ganhos em saúde para este grupo de utentes (e mesmo para os restantes como oportunidade de relaxarem e de socializarem em contexto de lazer e não especificamente de tratamento), que fossem criadas condições para o desenvolvimento deste tipo de actividades de forma sistematizada e regular. Estas condições implicariam a disponibilidade de espaços apropriados para desenvolver tais actividades, bem como a importância da presença de um profissional capacitado para desenvolvê-las dentro das unidades de saúde.

Bibliografia de apoio:

  • MENDES, Mª Isabel Brandão de Souza  et al – Cuidados Com O Corpo E As Atividades Lúdicas Nas Unidades De Saúde Da Família. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte – Belo Horizonte, VOL..12, nº1(2009), p.1-19
  • PORTUGAL. Direcção-geral da Saúde. Divisão de Doenças Genéticas, Crónicas e Geriátricas – Programa Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas. Lisboa: DGS, 2006. ISBN 972-675-155-1.
  • PINTO, Gabriela Baranowski- Animação Sociocultural No Lazer: Contribuições Possíveis Para Saúde Em Hospitais. Animador Sociocultural: revista iberoamericana -Minas GeraisVOL.2, nº1 (2008), p.1-18

Áurea Andrade (Enfermeira Directora do Hospital do Arcebispo João Crisóstomo-Cantanhede)

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