Opinião: Programas com Incidência nos Determinantes de Saúde

19 de Outubro de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por Hermínia Machado, Unidade Saúde Vale Formoso – ACES Porto Oriental, 28/09/2010

OpiniaoÉ ponto assente que a intervenção de outras profissões técnicas além de médicos e de enfermeiros, numa lógica interdisciplinar, para a prossecução da missão e objectivos do sistema de cuidados de saúde primários é actualmente indispensável.

Porém, observa-se que em Portugal o enfoque continua no modelo biomédico e curativo, pese embora todos os “manuais de boas intenções” e sobretudo os prejuízos humanos e financeiros conhecidos.

“A intervenção integrada sobre determinantes de saúde relacionados com estilos de vida saudáveis”, conforme contributo que li e a que acrescento: relacionados com a equidade e o acesso aos cuidados de saúde; com os ganhos em saúde; com a prevenção de situações de risco; com o exercício da cidadania, etc., não é compatível com a existência de um único Assistente Social por Unidade de Saúde ou Centro de Saúde.

Assim não é possível ao Serviço Social responder a todas as solicitações, crescentes, da população utente e de todas as unidades funcionais, participar nalguns programas, e ainda efectuar tarefas burocráticas exigidas.

Pior mesmo, só a carência de profissional da área de saúde mental.

Por outro lado, talvez por inexistência de representante da área do Serviço Social na estrutura de nível regional, e dando o exemplo das “novas regras para exclusão de utentes do ficheiro vacinal”, foi tomada uma decisão que implica dispêndio de tempo de pessoal de enfermagem e custos com transportes, em muitas situações porventura evitável se previamente for solicitado o contributo do Serviço Social das Unidades de Saúde.

Concluindo, sugiro a definição de programas transversais e intersectoriais com forte incidência nos determinantes da saúde, em consonância com o relatório da Organização Mundial da Saúde de 2010 “Equidade, Determinantes Sociais e Programas de Saúde Pública”, com a indispensável afectação dos recursos humanos necessários à sua exequibilidade.

Hermínia Machado (Assistente Social, Unidade Saúde Vale Formoso – ACES Porto Oriental)

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