Opinião: Autogestão do Doente Crónico

18 de Julho de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado por João Guerra, 07/06/2010

OpiniaoO Peso das Doenças Crónicas

Algumas doenças crónicas, embora preveníveis, são a principal causa de morte prematura e do peso global da doença na Região Europeia da OMS. A obesidade, por exemplo e a prevalência de doenças crónicas a ela associadas, como a diabetes e as doenças cardiovasculares têm aumentado, de forma consistente, nos países da OCDE ao longo dos últimos 10 a 20 anos.

As projecções do aumento da despesa pública em saúde para a média dos países da OCDE indicam um aumento de 5.7% do PIB em 2005 para 9.6% em 2050, se não forem feitos esforços para controlar as causas mais prováveis deste aumento. Entre essas causas inscreve-se a tendência para o aumento das doenças crónicas, embora o impacte individual de cada doença seja variável. Em simultâneo há uma forte evidência de que estas doenças estão associadas a um pequeno número de factores de risco ligados aos estilos de vida como o tabagismo, dietas inadequadas, inactividade física, abuso do álcool que operam num ambiente socioeconómico desfavorável. Estas doenças são responsáveis por 85% das mortes e por 70% do peso da doença Região Europeia.

Contudo, paradoxalmente, os inquéritos adminstrados pela OMS sobre os programas e políticas nacionais sobre as doenças crónicas revelam que apenas 60% dos países nesta região têm políticas para lidar com as doenças crónicas. Apesar destes programas verticais o peso das doenças crónicas continua a aumentar, o que agrava o acesso destes doentes a cuidados apropriados. O contexto epidemiológico das doenças crónicas que o Serviço Nacional de Saúde enfrenta não apresenta diferenças significativas em relação aos países europeus. Tendo em consideração que as doenças crónicas são, de facto, um problema para o Serviço Nacional de Saúde e que uma das intervenções com maior potencial de efectividade na melhoria dos resultados é a Educação Terapêutica do Doente (ETD ou a Educação para a Autogestão (AG) e na ausência de um dispositivo legal e estrutural, faz sentido incluir na estratégia dos próximos anos uma política nacional de ETD/AG.

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João Guerra

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