2 comentários sobre “PNS 2011-2016

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  1. Segundo algumas estimativas, como por exemplo, da Organização Internacional do Trabalho, em cada dia morrem 5.000 trabalhadores como resultado das “doenças ligadas ao trabalho”. Isso corresponde a que morrem, anualmente, cerca de dois milhões de trabalhadores por esse tipo de patologia “ligada” ao trabalho, englobando doenças profissionais e acidentes de trabalho, para além de outras situações clínicas em que o trabalho não é tão determinante como factor etiológico. Dito de outra forma, em cada cinco anos, a população do nosso país.

    Se não for considerado o desfecho mortal daquelas doenças “ligadas” ao trabalho, em cada ano estima-se que ocorram cerca de 270 milhões de acidentes de trabalho que implicam uma incapacidade temporária absoluta (ITA) superior a três dias e 160 milhões de casos de doenças de alguma forma associadas ao exercício da actividade profissional.

    Dos cerca de 360 mil acidentes mortais e dos 270 milhões de acidentes de trabalho que se estima que ocorram no mundo, 200 milhões podiam ser evitados se fossem adoptadas as medidas de protecção (colectiva e individual) apropriadas e desses, 300.000 acidentes mortais. Estão em causa por isso aspectos de gestão dos riscos profissionais que são maioritariamente preveníveis à luz do conhecimento técnico e científico actual que, se adoptados, resultariam em ganhos em saúde de grande importância. Tal deve ser assumido no Plano Nacional de Saúde

    Em minha opinião, os trabalhos em que o trabalhador é mais desvalorizado e “barato” são os que desvalorizam sistematicamente o homem, e também a sua saúde e segurança. O trabalho parcelizado, “taylorizado”, com poucas exigências de formação e “deslocalizável” com rapidez é um bom exemplo de um sector desvalorizador da saúde e segurança dos trabalhadores.

    Os países mais evoluídos em Saúde e Segurança do Trabalho (SST) são os países das economias de mercado e, dentro desses, os países que mais valorizam a sua dimensão social. Bons exemplos disso são alguns países europeus, como a Finlândia ou a Suécia, e países da América do Norte, como o Canadá. Ficaremos sempre na dúvida se são os países ricos que têm melhor SST ou se esses países são mais ricos, também por terem melhor SST.

    Na Europa, a exploração de novos conceitos de capacidade para o trabalho, de empregabilidade, de formas de organização do trabalho (como o teletrabalho), de envelhecimento activo no local de trabalho tem merecido atenção dos investigadores. A promoção “global” da saúde dos trabalhadores, numa perspectiva holista, é uma área menos desenvolvida que merece estar bem assumida no nosso planeamento em saúde.

    É que a SST deve preocupar-se com as pessoas e não só com os locais de trabalho. Para quê ter locais de trabalho seguros e saudáveis com trabalhadores inseguros e doentes? Oxalá a actual versão 2011-2016 coloque na agenda do Ministério da Saúde aspectos essenciais que evitem que se perca a vida a ganhá-la.

  2. Antes de mais, julgo ser importante louvar todos os momentos de consulta pública, promovidos por Organismos que tutelam programas e medidas que dizem respeito a todos nós.

    No seguimento do referido pela Exma Senhora Presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas, e também reforçado pelo comentário de uma colega, enquanto Nutricionista julgo que a população poderia retirar muito mais proveitos daquela que poderá ser a nossa intervenção.
    A participação de Nutricionistas em Centros de Saúde continua muito aquém do necessário e a forma como está distribuída pelo país não promove, como se pretendem que sejam os Cuidados de Saúde, equidade entre os Cidadãos. Como se sabe, existem Sub-Regiões de Saúde que não contam com os serviços de um único Profissional desta área.
    Mais do que recomendações que existam equipas multidisciplinares, para a implementação de vários programas, ao nível dos Cuidados de Saúde Primários – que são os que mais deverão estar próximos das pessoas e portanto trabalhar a prevenção de doenças e promoção da saúde – é necessário que haja efectividade nestes propósitos.
    No que respeita à Obesidade e à Diabetes, por exemplo, apesar de serem patologias crónicas, com as graves consequências mais que conhecidas e faladas, acontece o absurdo já referido- doentes que podem passar toda a sua vida sem aconselhamento nutricional. Especialmente os mais velhos, com menor iliteracia, os que se encontram mais afastados dos grandes Centros populacionais…Para termos equidade na Saúde esta realidade tem que mudar. Os profissionais têm de chegar mais perto das populações, os Cuidados de Saúde Primários deverão dispor de recursos humanos e também materiais (por exemplo, Unidades Móveis de Saúde) que o permitam… Os custos financeiros directos e indirectos das doenças referidas estão sobejamente estudados, é necessário começar a investir mais na prevenção, na promoção da saúde e no acompanhamento primário destes doentes, poupar-se-à em intervenções e tratamentos que se desejam opções limite – como o caso da cirurgia na Obesidade mórbida.
    Se de facto não existir uma mudança de paradigma, efectiva, nos Cuidados de Saúde, os indicadores de saúde não irão melhorar por muito que se escreva ou deseje…É necessário actuar, “passar para o terreno”!
    Como referido, é de facto importante, que a promoção da alimentação saudável seja transversal aos vários Órgãos de poder.
    Nas escolas, por exemplo, deverão continuar a surgir recomendações e regras de alimentação saudável, mas, mais uma vez estas deverão passar do papel à prática. Tem de existir avaliação nutricional das ementas e bares escolares, na minha opinião deveriam mesmo existir regras para os lanches/merendas escolares logo no 1º ciclo, talvez isso pudesse ser possibilitado até pela facilitação da merenda pela própria escola (ainda que fosse paga pelos pais). Algo tem de ser feito, quando crianças com 7,8 anos às vezes já com excesso de peso comem diariamente alimentos altamente calóricos, e de baixa densidade nutricional que deveriam constituir excepções. A distribuição gratuita de fruta que já acontece nas escolas é um exemplo excelente e que deve ser promovido!
    Por último, gostaria de reforçar o papel importante das IPSS’s na promoção da saúde. Os subsídios atribuídos pela Direcção Geral da Saúde e Alto Comissariado Saúde capacitam estas Instituições para desenvolverem projectos com forte impacto, especialmente a nível local, que promovem e poderão continuar a promover a Saúde das Populações.

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