Processo de Análise de Informação

30 de Junho de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Grupo-Projecto-PNSUma das estratégias de elaboração do Plano Nacional de Saúde (PNS) 2011-2016 assenta na recolha de contributos, assim como no desenvolvimento de análises especializadas, elaboradas por grupos académicos e peritos de determinadas áreas.

Todo este processo resulta numa riqueza de informação e conhecimento que necessita de um processo analítico de forma a produzir conteúdos integrados de valor acrescentado. No fundo, para que as várias linguagens que decorrem de análises e contributos de diferentes áreas se entendam é necessário traduzi-las para uma outra linguagem macro e integradora: a linguagem das estratégias em saúde.

Com o objectivo de sistematizar a informação que vai sendo recolhida, bem como nela eventualmente identificar a necessidade de solicitar mais esclarecimentos aos autores, foi elaborado um referencial de análise de informação, baseada em princípios de planeamento estratégico em saúde. Pretende-se que todos os contributos e análises especializadas sejam “dissecados” segundo as dimensões estabelecidas.

Neste sentido foram definidas oito dimensões de análise de conteúdo:

  1. Enquadramento e modelo conceptual;
  2. Situação actual;
  3. Análise crítica de estratégias actuais;
  4. Definição de objectivos estratégicos;
  5. Recomendações;
  6. Visão para 2016;
  7. Agenda de informação e investigação;
  8. Definição de conceitos e glossário.

É esperado que na dimensão enquadramento se refira o modelo conceptual para o tema em análise, focando ganhos em saúde (como são definidos e medidos); a identificação de determinantes e factores de risco; a identificação de dimensões específicas (governação e centros de tomada de decisão, níveis de cuidados e operacionalização, fluxo de informação, etc.); e a identificação de instrumentos de acção (informação, sistemas de feedback, formação, vigilância e geração de sinal, etc.).

Na situação actual pretende-se que seja descrito o estado da arte, nomeadamente a representação longitudinal e análise de variabilidade (nacional, regional, local, institucional,etc.); a identificação de sistemas e fontes de informação; a definição de métricas e indicadores; alcance de metas. Considera-se que todos estes aspectos devem ser enquadrados no modelo conceptual.

A análise crítica de estratégias actuais deverá incluir referência a planos, programas e linhas normativas, regulamentares ou de intervenção, analisados à luz de uma perspectiva crítica (objectivos, mecanismos, grau de implementação, integração com outras politicas, processo de monitorização e avaliação), quer nacionais, quer internacionais.

Na definição de objectivos estratégicos deve ser justificada a natureza dos objectivos, assim como o processo pelo qual são definidos (definição de ganhos adicionais, referências para o estabelecimento de prioridades e de impacto).

As recomendações devem contemplar, para além do seu objectivo, a definição de expectativas quanto aos ganhos em saúde a obter com a sua concretização, as acções a executar; a enumeração de elementos estratégicos a considerar; a discussão de custos associados (decorrentes da sua aplicação ou não aplicação); informação, indicadores e metas associadas; o processo de monitorização e avaliação; e a explicitação de responsabilidades e de implicações na área da governação, inclusive de outros sectores.

No que se refere à visão para 2016 espera-se que seja definido um ponto de chegada para os ganhos em saúde, em 2016.

Na dimensão agenda de informação e de investigação deverão ser identificados dados, sistemas de informação, áreas e estudos a desenvolver, em prol de melhor caracterização, monitorização e conhecimento operacional e científico.

Por fim, espera-se que sejam descritos os aspectos da definição de conceitos e glossário dos conteúdos abordados, que facilitem o entendimento comum.

Espera-se que este processo de sistematização de informação permita organizar os conteúdos no sentido de identificar elementos estruturantes que irão fundamentar as opções expressas no PNS 2011-2016. Naturalmente que, subjacente a estes aspectos, estará a qualidade da informação, estudos, evidência e recomendações que suportam as análises e outros contributos. Através deste processo pretende-se uniformizar a análise dos documentos recebidos, diminuindo assim a variabilidade na interpretação da informação e garantindo um maior rigor técnico na análise da mesma. Por outro lado, a existência deste referencial permite que todo o processo de análise de contributos seja mais transparente e preciso, tornando a informação fornecida mais estratégica, útil e operacionalizável.

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