SPC: A Aposta na Educação da População

27 de Junho de 2010 / Sem Comentários Bookmark and Share

Contributo enviado pela Sociedade Portuguesa de Cefaleias, 27/05/2010

SPC1)      Em que áreas e como podem os Portugueses obter mais ganhos em saúde de forma sustentável?

A área da Neurologia é uma área pouco valorizada no Plano Nacional de Saúde 2004-2010. A sua inclusão no próximo Plano Nacional de Saúde é essencial, dada a prevalência de determinadas patologias e a incapacidade que produzem.

2)      Que expectativas possui relativamente ao PNS 2011-2016? Como é que este pode ser útil na obtenção de mais valor em saúde?

A maior expectativa é a educação da população. Neste século, após o aumento do nível de escolaridade do nosso país nas últimas décadas e com o fácil acesso às tecnologias de informação não há motivo para que os utentes do Sistema Nacional de Saúde não façam parte da gestão da sua própria saúde. Princípios básicos de saúde poderão ser ensinados desde a idade escolar, uniformizando a implementação não só de estilos de vida saudáveis mas também de conhecimentos básicos sobre patologias frequentes, utilização de fármacos e prestação de auxílio emergente. A maior responsabilização individual e a educação para a saúde levarão certamente à optimização da procura de serviços de saúde, à melhor gestão dos serviços e à optimização da acessibilidade, assim como à melhoria da adesão à terapêutica e, globalmente, à melhoria da qualidade na saúde. Outra expectativa fulcral é a optimização da dispensa de fármacos (unidoses comunitárias), evitando o desperdício de dinheiro público e custos directos com medicação por parte dos utentes, assim como o risco de ingestões excessivas ou acidentais e a interacções medicamentosas. Ambos estes princípios, claramente generalizáveis, têm um papel fundamental nos cuidados de saúde prestados a doentes neurológicos, como os doentes com cefaleias.

3)      Como é que o PNS 2011-2016 pode apoiar a missão da vossa instituição na obtenção de ganhos em saúde de forma sustentável?

A Sociedade Portuguesa de Cefaleias têm colaborado com a Campanha “lifting the burden”, uma campanha desenvolvida na sede da OMS com o apoio da International Headache Society e da European Headache Federation, no sentido de optimizar a prestação de cuidados de saúde na área das cefaleias, diminuindo assim o fardo que esta patologia representa em termos de incapacidade individual e de impacto social e económico. As cefaleias, muitas vezes desvalorizadas mesmo pelos profissionais de saúde e, em particular, a enxaqueca, são patologias que dada a sua elevada prevalência – cerca de 10% da População Portuguesa tem enxaquecas (Prof. Pereira Monteiro 1995) – e a elevada incapacidade condicionada pelas crises que afectam sobretudo indivíduos jovens e activos profissionalmente, foi considerada no World Health Report 2000 da OMS como a 19º maior causa de anos vividos com incapacidade (YLDs) dentro de todas as doenças que causam incapacidade, em todas as idades e em ambos os sexos. Viver um dia com uma crise de enxaqueca grave é considerado, pela OMS, tão incapacitante como viver um dia com tetraplegia. Esta incapacidade é, felizmente, episódica em termos individuais mas a elevada prevalência da doença torna-a num problema populacional, social e económico, sobretudo nas sociedades ocidentais e mais desenvolvidas. Em Portugal estima-se que, diariamente, cerca de 23.000 indivíduos faltem ao trabalho/ escola devido à enxaqueca e cerca de 33.000, embora presentes no local de trabalho ou na escola, vejam a sua produtividade significativamente reduzida por causa da enxaqueca. Existem tratamentos eficazes para a enxaqueca que podem ser administrados com segurança e que permitem à maioria do doentes restaurar a função e viver com menos incapacidade. A educação da população e dos profissionais de saúde pode optimizar o diagnóstico desta patologia, a capacidade de tratamento e a redução da incapacidade, assim como a melhoria da  compreensão social e do estigma que existe sobre esta patologia.

4)      Como é que os resultados da vossa instituição, na obtenção de ganhos em saúde, podem ser percebidos, medidos e valorizados?

  • Monitorização do absentismo escolar e laboral por cefaleias.
  • Monitorização do assiduidade escolar e laboral por cefaleias.
  • Número de visitas a urgências hospitalares e serviços de atendimento permanente ou urgente por cefaleias.
  • Número de doentes referenciados a consultas de especialidade por cefaleias.
  • Monitorização do consumo de fármacos específicos, incluindo preventivos.

Sociedade Portuguesa de Cefaleias

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